Quando se olha para os atletas, é fácil ver as diferenças entre um maratonista e um velocista. O primeiro é habitualmente magro e pouco musculado. O segundo é o oposto, com massa muscular por todo o lado. Com os automóveis acontece um pouco o mesmo. E quem vê (por fora e por dentro) o Audi A5 Coupé, não hesita nem um momento em considerar que está perante um desportivo, daqueles que apelam à diversão e a emoções fortes.
A Audi fez recentemente algumas alterações no A5. São ligeiros retoques na estética e na técnica, que não alteram a essência desta gama - as ópticas frontais estão diferentes e os motores ligeiramente mais potentes.
Mal se entra no A5, a posição de condução denuncia imediatamente o carácter desportivo. O banco está bem baixo, quase tão perto do chão como num monolugar de competição. Algo confortável para o condutor, mas mais merecedor de queixas por parte do ocupante do lado e dos dois passageiros traseiros. A versão ensaiada estava ainda equipada com um volante com a parte inferior plana, algo capaz de causar alguma estranheza a muitos condutores.
Este 2.0 TDI tem agora mais sete cavalos (177cv ao todo), o que reforça o gozo das acelerações. É um daqueles automóveis em que é bom não ter Via Verde na auto-estrada: cada paragem na portagem é uma oportunidade de confirmar que é possível acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de dez segundos (8,2s).
Mais difícil é comprovar que este modelo chega mesmo aos 230 km/h de velocidade máxima. Aliás, só uma passagem por um circuito fechado permitiria explorar todas as potencialidades e desvendar os defeitos deste A5, embora seja certo que o comportamento dinâmico desde Coupé é interessante.
Em estrada, e sem arriscar nas infracções ao Código da Estrada, o A5, dotado de tracção dianteira, corresponde às expectativas. Pelo menos de diversão. O contra-ponto são os consumos. Com uma condução normal, a média ronda os 7 litros por cada 100 km, mas dispara para acima dos 10 litros com uma utilização mais desportiva.
Em cidade, que não é propriamente a praia do A5, é possível utilizar o sistema start-stop, que automaticamente desliga (e liga) o motor, quando se pára no trânsito. Segundo o construtor alemão, esta solução permite uma poupança de combustível na ordem dos 11%.
Com linhas atraentes por fora, o A5 Coupé mantém o aspecto desportivo no interior, onde a qualidade dos materiais não desilude. O sistema multimédia MMI foi simplificado, tendo agora menos botões, o que, de facto, facilita a sua utilização. A colocação das teclas junto à alavanca das mudanças, no entanto, continua a levantar algumas reservas. Por um lado, obriga o condutor a desviar mais o olhar da estrada. Por outro, torna-se uma tentação menor, por estar mais longe da vista.
A versão ensaiada estava amplamente equipada com extras, dos bancos desportivos aos sensores de estacionamento, passando pelo sistema de som e pelas jantes especiais. Mas sentia-se a falta de um elemento cada vez mais comum neste e noutros segmentos: a câmara de estacionamento traseiro, algo particularmente útil num carro baixo e que já supera os 4,5 metros (4,626m) de comprimento.