Fugas - motores

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Silêncio que se vai andar de carro

Por Carla B. Ribeiro

Poderia ser apenas mais um carro eléctrico. Mas o Volt chegou com ambições mais elevadas: tornar os eléctricos numa verdadeira opção, alargando a autonomia até 500 km graças a um extensor a gasolina. Algo que faz com agilidade e sem ruído. Pelo menos fora do pára-arranca.

Liga-se o carro e ouve-se um som que parece saído de um filme de ficção científica. Depois, nada. O silêncio é a nota dominante do Volt da Chevrolet, que marcou uma das primeiras incursões da General Motors no segmento dos eléctricos. Mas o Volt não é apenas um eléctrico: embora todo o seu funcionamento se baseie neste modo - mesmo quando a sua bateria acusa o descarregamento, a unidade eléctrica continua a funcionar -, beneficia de um motor/gerador, a gasolina, que lhe garante autonomia até aos 500 km.

E o consumo de combustível costuma manter-se dentro de níveis aceitáveis para um modelo deste tamanho. Razões que levaram a que o sistema de extensão de autonomia, que também equipa o Opel Ampera, tenha sido recentemente eleito Motor Verde do Ano (Chevrolet Volt e Opel Ampera foram também eleitos, em conjunto, Carro do Ano internacional).

Há, aliás, qualquer coisa de viciante nesta coisa de ir observando consumos - no caso, dir-se-ia antes não consumos. E tentando quebrar recordes. Nem é difícil. Com as baterias carregadas, representadas pelo desenho de uma pilha com carga verde, depressa se compreende como a inércia funciona a nosso favor. Desacelerar e travar torna-se quase uma obsessão. É que, de cada vez que se opta por uma daquelas acções, vê-se a pilha a recarregar. E os quilómetros de autonomia verde a subirem. 67. Foi esse o máximo conseguido - a marca avança com uma autonomia eléctrica garantida de 56 km (a versão de 2013 chegará com 61 km).

Ainda que, depois de esgotada a pilha e iniciado o uso do modo de combustão, de vez em quando o sistema volte a disponibilizar alguma energia acumulada (pouca, mas o ecrã a verde torna-se sempre mote para alguma animação). "Olha, olha! Está outra vez em eléctrico." E é aí que se redobram cuidados.

A verdade é que o carro, em modo eléctrico, é tão silencioso que depressa se percebe como os outros veículos em circulação não dão por ele. "Mas donde é que este saiu?", parecem perguntar ao verem-se ultrapassados. Mas não há regra sem excepção. E esta sente-se, sobretudo, no pára-arranca citadino, sempre que o motor de combustão interna é chamado a alimentar a bateria. Nessas situações, o ruído invade o habitáculo. O que, depois de habituados ao silêncio, deixa um travo amargo.

O certo é que, com ou sem barulho, por onde quer que passa chama a atenção, atraindo olhares nada discretos e várias interpelações de estranhos, curiosos por este novo sistema: "Aguenta mesmo 500 km?". Em andamento também não é raro sentirmo-nos observados. Não é que este Volt seja uma máquina de velocidade: não vai além dos 160 km/h. Mas o poder de aceleração - dos 0 aos 100 km/h em 9s - aliado ao facto de revelar um binário instantâneo do propulsor eléctrico de 370 Nm, permite colocar-se entre os mais ágeis. Mais ainda quando os ventos cruzados atrapalham os veículos mais altos, enquanto o Volt passa ileso.

Para mais, o seu desempenho ajusta-se a diferentes modos: económico em modo normal, agressivo em modo desportivo, possante em modo montanha ou inteligente em Hold. Este último permite não usar a carga eléctrica, poupando-a para ser utilizada em determinadas circunstâncias - no nosso caso, fizemo-nos às estradas nacionais, rodeados de verde, com a certeza de quase não deixarmos qualquer pegada ambiental.

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