Esta Giulietta é uma dama com sangue na guelra e impetuosa: não é preciso pisar muito o acelerador para fazer subir o ponteiro do velocímetro, mas aconselha-se a não reparar no consumo instantâneo para não se sofrer choques...

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Fugas - motores

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Bela, nervosa, potente e gastadora

Por João Palma

Esta Giulietta é uma dama com sangue na guelra e impetuosa: não é preciso pisar muito o acelerador para fazer subir o ponteiro do velocímetro, mas aconselha-se a não reparar no consumo instantâneo para não se sofrer choques...

Não é preciso recuar muito no tempo para ser pouco provável haver um motor a gasolina com 1368cc que tivesse 170cv de potência e um binário de 250 Nm às 2500 rpm. Também não há muito tempo, as caixas automáticas caracterizavam-se por uma resposta soluçante e ronceira, performances inferiores e consumos superiores aos de uma caixa manual. Pois é: o Alfa Romeo Giulietta 1.4 MultiAir tem 170cv, 250 Nm de binário e a sua caixa TCT de dupla embraiagem gera menores consumos do que a caixa manual.

É certo que os gastos reais de gasolina desta Giulietta não se aproximam nem de perto nem de longe dos anunciados pela marca - esta "beldade" é como aquelas senhoras que vão aos saldos, estoiram o limite do cartão de crédito e dizem que fizeram poupanças. Sem abusos de maior, obtivemos uma média de 9,0 l/100 km e reparámos que a média apresentada no computador de bordo, feita pelo anterior utilizador, era de 11,1 l/100 km...

Também é verdade que a Giulietta é uma dama geniquenta, com sangue na guelra, impetuosa: não é preciso pisar muito o acelerador para fazer subir o ponteiro do velocímetro, mas aconselha-se a não reparar no consumo instantâneo para não se sofrer choques. É que a Giulietta tem um apetite voraz e os valores atingem facilmente os dois dígitos, em especial no modo de condução desportiva Dynamic.

No modo Normal o comportamento é mais calmo, mas não muito. Há ainda um terceiro modo, All Weather, para situações de chuva intensa, neve, gelo ou piso enlameado. Mas mesmo tendo temperamento, esta Giulietta é segura e estável, em especial ao curvar. A suspensão, embora tenha rigidez q.b. para evitar o adornamento excessivo numa condução mais afoita, é cómoda e absorve a maioria das irregularidades do piso.

A caixa de velocidades de 6 relações e dupla embraiagem Alfa TCT, estreada no MiTo, é suave e eficiente, com performances superiores às obtidas com a caixa manual de 6 velocidades, só se notando um certo arrastamento da mudança engrenada em condução mais desportiva. Mas também é preciso considerar que o motor tem 1386cc e mesmo sendo turbo e com controlo MultiAir de abertura e fecho das válvulas de admissão, há limites para o que se pode exigir dele. Ainda assim, esta berlina com 1290 kg de peso proporciona uma condução divertida, viva e despachada e, como as belas mulheres, há que ter juízo para que não nos faça perder a cabeça.

Para reduzir consumos, dispõe de Start & Stop, sistema de paragem e arranque automáticos do motor. Lá está, "poupar nos saldos". O funcionamento é aceitável, embora se note um pequeno atraso no rearranque do motor. Esta Giulietta tem travão de mão mecânico, mas também possui auxílio ao arranque em subida. E se o travão de mão pode ser considerado algo antiquado, a Giulietta não alinha noutra "modernice": sob a bagageira de 350 litros (1045 litros com a 2.ª fila de bancos rebatida) aloja-se uma roda sobresselente de emergência, uma solução muito superior, em termos de comodidade e praticabilidade, ao famigerado kit de reparação de pneus.

Na boa tradição italiana, a Giulietta é una bella macchina, com linhas elegantes e fluidas. No interior, nota-se a qualidade dos materiais e cuidado nos acabamentos. Os bancos são cómodos e envolventes e quatro pessoas sentam-se confortavelmente. Já o lugar do meio atrás é estreito e o túnel da transmissão obriga a colocar uma perna de cada lado.

O porta-luvas é grande, mas as bolsas das portas são muito estreitas e só há um pequeno espaço aberto à frente da alavanca da caixa de velocidades. Os comandos no volante são, no geral, de fácil manuseio e a instrumentação de fácil leitura. Só a manete do cruise control (na coluna de direcção, à esquerda, atrás do volante e abaixo da manete das luzes) é que tem acesso mais difícil.

No equipamento de série destaca-se o pára-brisas anti-infravermelhos, computador de bordo, rádio/CD ou o climatizador duplo. O veículo que nos foi facultado, além da pintura metalizada (550€), também trazia o pack Premium (950€, sensores de estacionamento posteriores, de luz, de chuva, de odores e espelho interno electrocromático, sistema de info-entretenimento Blue&Me, espelhos rebatíveis eléctricos e cruise control).

Não é difícil enamorarmo-nos por esta bela Giulietta, mas há que ter cuidado porque é algo gastadora. 

Alfa Romeo Giulietta 1.4 170cv TCT*


Motor: 4 cil., 16v, 1368cc, gasolina, turbo
Potência: 170cv às 5500 rpm
Binário: 230 Nm às 2250 rpm
250 Nm às 2500 rpm**
Veloc. máxima: 218 km/h
Aceleração: 0/100 km/h 7,7s
Consumo médio: 5,2 l/100 km
Emissões CO2: 121 g/km
Preço: 29.900€ (veículo ensaiado 31.400€)

* Dados do construtor
** Normal/Dynamic

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