Nas paredes, retratos de Zeca Afonso ou Che Guevara casam com cartazes do 25 de Abril e abrem caminho para as muitas histórias daqueles dias que lhe valeram a fama de ter estado na génese de duas organizações criminosas brasileiras. Atrás de nós, uma parede sobrecarregada de pequenas recordações dos vários sítios por onde passou ao longo dos anos. "Há sempre um ou outro bonequinho que vai desaparecendo", levado pelos amigos que lhe vão aquecendo a casa nas suas ausências, conta-nos alegremente. "Ofereço-lhes a casa e ainda me roubam!", exclama, entre risos.
O Alqueva, entretanto, já encheu, formando aquele que é o maior lago artificial da Europa. Mas as embarcações de luxo a perder de vista não chegaram, nem as grandes cadeias hoteleiras, nem mesmo o regadio. E o sonho que Alípio levou para o Alvito ficou por cumprir. Assim, vai aproveitando o sossego do seu pequeno terraço, com um limoeiro a querer saltar o muro ("A metade de dentro é minha; a de fora, dos vizinhos que me vão tratando das plantas à porta de casa"), palco de muitos encontros. Tertúlias regadas a vinho e bêbedas de ideias que o fazem estar sempre de volta ao Alvito.