Fugas - motores

Enric Vives-Rubio

Volvo V60 D3 Momentum: Sentido estético e tecnológico apurado

Por Luís Filipe Sebastião

A Volvo resolveu colmatar uma lacuna na sua gama 60. E a nova carrinha do emblema sueco possui argumentos para incomodar a concorrência

O que se pretende de uma carrinha? Que seja prática para transportar pessoas e carga, que garanta a segurança e conforto da família e que disponha de fôlego para responder a qualquer necessidade no tráfego quotidiano ou em viagens mais longas. A nova Volvo V60, equipada com a motorização de 2.0 litros com 163cv, cumpre com todos estes requisitos e ainda acrescenta uma estética aprimorada.

Gostos não se discutem - mas a nova carrinha derivada do S60 dificilmente passará despercebida com a sua silhueta esbelta. As linhas dianteiras decalcadas da berlina casam harmoniosamente com os traços singulares posteriores do XC60, o SUV (Sports Utility Vehicle) médio da marca sueca. Os grupos ópticos - a tecnologia LED dos indicadores de presença compensa a assumida ausência de faróis de nevoeiro à frente - combinam-se numa carroçaria com contornos dinâmicos, vincados pela linha elevada de cintura que se une ao tejadilho descendente na parte traseira.

O espaço de carga não sai demasiado penalizado com esta opção estilística. No entanto, os 430 litros ficam aquém de propostas da concorrência. Ainda que a capacidade possa ser ampliada com o rebatimento dos bancos posteriores, numa prática divisão tripartida de 40/20/40. Os encostos de cabeça rebatem de forma manual ou eléctrica (opção). Um compartimento adicional sob o piso plano da mala serve para pequenos objectos, como o kit de reparação de furos, que pretende substituir a roda sobressalente.

A qualidade geral dos revestimentos é boa e denota idêntico cuidado de montagem. As aplicações em alumínio, conjugadas com borrachas e plásticos de bom tacto, contribuem para um nível de requinte elevado. O espaço a bordo é desafogado. Só as zonas de arrumos, como é costume na marca, possuem dimensões modestas. Os bancos confortáveis misturam tecido e "pele" sintética. A peculiar consola central agrupa os principais comandos, de fácil acesso e o travão de estacionamento eléctrico liberta algum espaço.

A motorização D3, equipada com um motor turbodiesel de 2.0 litros e cinco cilindros, desenvolvido a partir do bloco de 2.4 litros de origem Volvo, proporciona à nova V60 uma desenvoltura apreciável. A transmissão manual de seis velocidades, bem escalonada, tira bom partido dos 163cv de potência e 400 Nm de binário debitados pelo motor e o desempenho é particularmente fulgurante até à faixa média de regimes. As rotações superiores destinam-se a uma condução mais "familiar". Os consumos são superiores aos esperados, mas não assustam. A suspensão digere bem os pisos degradados e o comportamento em curva revela-se muito equilibrado, com as habituais ajudas electrónicas (controlo de estabilidade e tracção) para conter eventuais exageros.

A direcção, precisa, aponta com facilidade para a trajectória pretendida e os argumentos positivos do chassis dinâmico, de série, podem ser reforçados com o opcional sistema Four-C (Continuously Controlled Chassis Concept). Este chassis activo - que não se encontrava montado na unidade ensaiada pela FUGAS - possibilita escolher entre três modos de condução (Comfort, Sport e Advanced). Custa cerca de mil euros.

A versão intermédia Momentum (entre a Kinetic, R-Desig e Summum), que inclui seis airbags (frontais, laterais e cortina) e o sistema City Safety, encontra-se bem equipada e começa nos 41.446 euros - por culpa do aumento do IVA para 23 por cento (em Dezembro custava menos mil euros). Porém, a unidade ensaiada ascendia aos 45.057 euros devido à pintura metalizada e aos pacotes opcionais (Family, Winter ABL e Driver Support). Nem todos serão de aquisição obrigatória, mas aguçam os sentidos no capítulo da segurança e conforto de uma carrinha muito bonita.

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