Fugas - motores

Pedro Cunha

Volkswagen Touareg 3.0 TSI V6 Híbrido: A ecologia mais como meio do que fim

Por Luís Filipe Sebastião

O Touareg está mais amigo do ambiente, mas a versão híbrida do modelo de prestígio da Volkswagen apresenta argumentos mais vincados para o asfalto.

Longe de ser o parente "pobre" da parceria entre a Volkswagen e a Porsche, o Touareg possui todos os argumentos que fazem do Cayenne um dos mais atraentes SUV (Sports Utility Vehicle) de luxo. A versão híbrida dos dois modelos alemães, que alia um motor eléctrico ao propulsor V6 de injecção directa a gasolina, permite desfrutar de prestações convincentes sem penalizar demasiado o ambiente. Mas ainda estão distantes de serem a receita ecológica mais eficiente. Antes a possível.

Na comparação estética, sejamos claros: se na anterior geração lançada em 2002 a preferência recaía nas linhas mais equilibradas do Touareg, no modelo actual o desenho esbelto do Cayenne leva vantagem. O mesmo se passa em termos de interiores onde o requinte posto pela Porsche ao serviço do emblema que ostenta continua em alta. Mas, independentemente destas considerações subjectivas de gosto pessoal, há que notar que o modelo da Volkswagen também adopta a mesma postura de veículo topo de gama, com uma construção de elevados padrões e recheado de equipamento que a marca parceira só disponibiliza com custos extra.

No exterior, o SUV da marca generalista alemã exibe uma linguagem estética próxima da restante gama, principalmente na característica grelha frontal de duas lâminas. As ópticas dianteiras incorporam luzes diurnas em tecnologia LED. Mais leve 208 quilos, comparado com o anterior modelo (na versão base), o aumento de 4,1 centímetros no comprimento e de 2,1 na largura proporciona mais desafogo interior, que em nada sai penalizado pela redução de 1,7 na altura. Só o passageiro do lugar posterior do meio se poderá queixar da dimensão do túnel central. O peso é idêntico ao modelo "siamês", apesar deste ser cinco centímetros mais comprido, pois os restantes valores equivalem-se.

Ao entrar, salta à vista outra comparação inevitável: a consola central. Á exuberância da Porsche, à imagem do elitista cinco portas Panamera, a Volkswagen aposta numa disposição mais prática, combinada com materiais de boa qualidade e mesmo nível de montagem. Os elementos em raiz de nogueira (material que pode ser substituído por aplicações metálicas), emoldurados por inserções em alumínio, contribuem para um ambiente requintado, sem espalhafato. A generalidade dos plásticos é de bom tacto, exceptuando os que revestem zonas inferiores. Existem diversos espaços de arrumação, com destaque para um compartimento ao centro do tablier, cuidadosamente revestido para evitar ruídos parasitas, mas que se deve fechar bem para não se abrir em movimento. Eventuais barulhos, para já, só de índole aerodinâmica (a velocidade elevada sob fortes ventos).

O bloco de 3.0 litros e seis cilindros em V, com 333cv, não se costuma fazer ouvir quando se acciona o botão Start/Engine/Stop. Isto porque, na maior parte das vezes, um arranque suave fica a cabo do motor eléctrico de 47cv que compõe o sistema híbrido comum aos dois modelos germânicos. Acoplados a uma precisa e rápida transmissão automática de oito velocidades, os dois motores debitam uma potência combinada de 380cv e um binário máximo de 580 Nm disponível logo ao primeiro milhar de rotações por minuto.

As prestações folgadas serão mais fulgurantes com o recurso ao modo Sport da caixa de velocidades, que pode ser comandada sequencialmente. Adoptando uma postura radicalmente oposta, o botão E-mode permite circular exclusivamente a electricidade, até 50 km/h e no máximo durante dois quilómetros, isento do consumo de gasolina e de emissões. No entanto, este cenário depende muito do nível de carga das baterias e da sensibilidade com que se pisa o acelerador. Os consumos, naturalmente, ressentem-se de uma utilização mais musculada, variando entre uma média na ordem dos 14,5 litros e 9,8 registados em auto-estrada dentro dos limites de velocidade.

A eficácia dinâmica em trajectos mais sinuosos pode ser ampliada com a opcional suspensão pneumática (3100 euros), presente na unidade ensaiada. Se o amortecimento, em geral, permite um bom patamar de conforto, mesmo nos pisos mais degradados, uma maior firmeza dos amortecedores traduz-se num maior apoio em curva no modo Sport. A regulação da altura ao solo, conjugada com a selecção do modo "off-road", ajuda a umas escapadelas por caminhos de terra, beneficiando do controlo electrónico de descidas. O sistema de tracção integral 4Motion permite explorar terrenos de dificuldade mediana. Os percursos mais trialeiros só estarão ao alcance do opcional sistema 4XMotion (1750 euros), com bloqueio do diferencial traseiro e redutoras, mas que não é disponibilizado na versão híbrida.

O Touareg apresenta-se, mesmo assim, como uma alternativa a levar seriamente em conta face ao primo aristocrata, pois enquanto o Cayenne arranca nos 88 mil euros o modelo de aspirações ecológicas da Volkswagen começa nos 84 mil euros já dotado com um recheado cabaz de equipamento de segurança e conforto.

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