Fugas - motores

Ricardo Silva

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O dia-a-dia a bordo de um carro eléctrico

Irmão gémeo dos Citroën C-Zero e Mitsubishi i-MIEV - e derivando deste último -, o Peugeot iON tem funcionamento silencioso: só a luz verde READY no painel de instrumentos indica que o carro está pronto a arrancar. É um segundo carro por excelência, para uso urbano. Nesse pressuposto, eventuais receios de ficar parado sem carga no meio de um percurso são infundados - no caso concreto, em circunstâncias muito desfavoráveis, nem sequer foi preciso recorrer a outro dos postos de carga existentes. Desde que não se carregue muito no acelerador, chega e sobra para o dia-a-dia.

BARÓMETRO

+ Economia de utilização, comportamento em cidade

- Preço, autonomia reduzida; equipamento de série limitado, ausência de tampa na mala

Onde está o motor?

Sob o capot, num compartimento apinhado, encontram-se vários depósitos de líquidos (travões, lava pára-brisas, etc.) e a bateria auxiliar (para as luzes, ventilação, etc.). O "motor" não está aqui, mas sob o fundo do habitáculo e mala, onde se situam as baterias. Na ausência de motor, a frente do carro é curta, o que é uma boa ajuda nas manobras de estacionamento. Tudo seria ainda mais fácil se existissem sensores de estacionamento atrás, o que, mesmo num citadino, já não se pode considerar um luxo.

Pronto a andar

Esqueça-se o ruído do motor a funcionar. A única indicação de que o carro está pronto a iniciar a marcha é o aviso em luz verde "READY" no painel de instrumentos, junto ao indicador digital de carga da bateria, composto por tracinhos que se apagam à medida que ela se descarrega. Num pequeno visor circular, do lado oposto, entre outros dados, informa-se a autonomia restante em quilómetros, mas isso é só uma indicação - o que conta é o número de tracinhos que restam. Para ajudar a uma condução económica, por cima do velocímetro digital, um ponteiro desloca-se numa zona circular dividida em tons que vão de azul (Charge - modo de carregamento da bateria, por exemplo, em descidas) passando por verde (Eco - condução económica) até cinzento (Power - quando se pretende mais potência em detrimento do consumo).

Os "depósitos" de combustível

Não há motor, mas as duas tampas circulares existentes, uma em cada um dos lados da traseira do carro, confundem-se facilmente com tampas de depósito de combustível. E na verdade são-no: a do lado direito, cobre uma tomada para carga lenta; no lado oposto, situa-se a tomada de carga rápida. A carga lenta (6 horas de 0 a 100 por cento) pode ser efectuada em casa, numa vulgar tomada de 220v e 16ª, ou então, com adaptador, num posto público de carga lenta. A carga rápida (30 minutos de 0 a 80 por cento), nos poucos postos públicos desse tipo (mas convém utilizar apenas em emergências porque encurta a vida das baterias).

Era preciso poupar tanto?

Este veículo, mesmo com todas as ajudas estatais, ainda fica muito caro devido ao preço das baterias. Por isso, os fabricantes tendem a cortar ao máximo no equipamento que consideram supérfluo, para reduzir custos. E até se aceita a falta de iluminação da alavanca da caixa automática (de noite, temos que nos guiar pela indicação de mudança no visor da carga da bateria). Mas num veículo com sensores de luminosidade e retrovisores laterais rebatíveis electricamente, não haver uma simples tela plástica para tapar o conteúdo da pequena mala é algo que escapa à compreensão. Quanto se poupou? Se calhar nem cinco euros...

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