O Peugeot iOn é um veículo 100 por cento eléctrico com uma autonomia teórica máxima de 150 km. A Fugas experimentou este citadino de 4 lugares e 5 portas durante 5 dias. O jornalista que o conduziu mora em Cascais e decidiu dar-lhe uma utilização normal. O problema é que não tem garagem onde pudesse recarregar as baterias do carro e só a viagem de ida e volta casa-trabalho são mais de 60 km, sem contar com alguns quilómetros extra para voltas em Lisboa. Porém, a experiência correu bem e nunca esteve em apuros.
Alguns veículos, pelas suas características, convidam a pisar no acelerador. O Peugeot iOn é precisamente o contrário - pede uma condução comedida, sem acelerações bruscas. Não é que não tenha potência disponível - a meio da íngreme subida de Monsanto, no sentido Lisboa-Cascais, com o carro a cerca de 50 km/h, pisou-se no acelerador e logo a velocidade subiu, chegando a cerca de 120 km/h no topo. A contrapartida é que os traços indicadores da carga da bateria se iam apagando a um ritmo alucinante. A mensagem era bem clara: Não abuses se queres chegar a casa...
Para obter o máximo rendimento deste citadino é preciso estar atento a dois indicadores. O de carga da bateria (com tracinhos que se vão apagando à medida que as baterias se descarregam). E um ponteiro que se desloca numa zona circular, por cima do velocímetro digital, dividida em tons que vão do azul ao cinzento, passando pelo verde, em função da pressão no acelerador: na zona azul, "Charge", o movimento do carro carrega as baterias (por exemplo, em descidas), numa área verde intermédia, "Eco", os consumos são reduzidos, aumentando à medida que o ponteiro entra numa zona cinzenta, "Power".
A prática ensinou-nos que, em auto-estrada, não excedendo os 90 km/h e aproveitando as descidas, pode-se fazer o percurso Cascais-Lisboa (ou o inverso) com menos de um quarto de carga. Só custa o facto de, encostados à direita, sermos passados como uma seta por grandes camiões carregados... Em cidade, graças ao poder de arranque rápido e a não se poderem atingir velocidades elevadas, o iOn está como peixe na água, gastando menos do que em estrada, graças aos sistemas de recuperação de energia e ao facto de, parado no trânsito, o consumo ser zero.
Para quem não tem garagem onde possa carregar o carro, resta usar os postos públicos da MOBI.E. Na A5, no sentido Cascais-Lisboa, há um de carga rápida (30 minutos para carregar do 0 aos 80 por cento) a que não foi preciso recorrer, pois há outro de carga lenta (6 horas do 0 aos 100 por cento) em frente à estação da CP de Cascais. A técnica consistia assim em, vindo de Lisboa, pôr o Peugeot iOn a carregar e ir buscá-lo umas horas mais tarde. Um dia que foi preciso ir duas vezes à cidade, o iOn ficou a carregar durante duas horas, só por uma questão de segurança (ainda tinha meia carga). E, se for preciso ajuda, há sempre o sistema de emergência Peugeot Connect Assist.
Houve o receio inicial de roubo de cabos ou vandalismo, mas foi infundado. O único problema foi os dois lugares específicos para veículos eléctricos estarem com frequência ocupados por outros carros, pois, apesar da existência do posto e de sinalização vertical, o espaço não está marcado no chão. Haver um veículo ligado por um cabo a um posto suscitou a curiosidade e perguntas de dezenas de pessoas. Desencorajante é o preço de cerca de 30.000 euros para particulares (a Peugeot propõe um sistema de financiamento), já incluindo as ajudas estatais, porque o custo do consumo é imbatível - 1,5 a 2 euros de electricidade por 100 km percorridos. Aliás, até Junho, o carregamento nos postos da MOBI.E é gratuito.