A primeira impressão é dada pelo visual exterior e há-de mostrar-se bem adequada ao longo de todo o teste: estamos perante um carro que sabe conciliar como poucos os sinais exteriores de solidez e distinção com pormenores que animam um bocadinho o ritmo das batidas cardíacas. O Mercedes C 250 CDI Coupé pretende atrair uma clientela mais dinâmica do que a tradicional da marca, mas nunca cede à tentação de desvirtuar os pergaminhos da casa para lá chegar.
Ou seja, olhando daqui, este é um Mercedes e ponto final. Sim, há pormenores que dão lampejos de agressividade à silhueta do carro, mas não passam disso mesmo, de detalhes. O ar geral é muito civilizado e outra coisa não seria de esperar. Aliás, essa é a regra de ouro: um Mercedes é um Mercedes e mudar muita coisa podia estragar a relação de cumplicidade com os consumidores. Essa preocupação nota-se, nomeadamente, no compromisso da suspensão, que se mostra mais desportiva do que na berlina, mas sem nunca sacrificar o conforto a bordo.
Porém, já nos adiantamos à cronologia do olhar. Ainda estamos cá fora, mirando a silhueta do carro, duas portas de acesso ao habitáculo, linhas fluidas sem delírios estilísticos, o ar de família a sobrepor-se à personalidade própria do modelo. E se lá fora a falta de grandes novidades pode deixar-nos algo desiludidos, lá dentro a sensação de dejá-vu é ainda maior.
Os materiais, claro, são de bom nível. O equipamento, correcto (embora com muitos extras a pagar à parte). O desenho, elegante. Tudo bem, até aqui. E pouco mais há a dizer. Para quem procura novidades, o melhor é fazê-lo por outro lado. Até aquelas coisas que todos nós já sonhámos um dia ver concretizadas, como o fim do estranho travão de estacionamento accionado por um pedal ou a colocação mais ergonómica do comando dos "piscas", estão no sítio do costume.
Há, no entanto, uma ou duas coisas que não "batem certo"... Uma delas é a qualidade dos plásticos da consola, ao centro, nos bancos traseiros, que parece destoar do conjunto pelo seu ar vulgar. Uma breve incursão à bagageira, para descobrirmos que a parte final quebra a regra de ouro do fundo plano, complicando a arrumação de volumes mais altos. Nada de muito grave, certo. Já a disponibilização de sensores e a câmara de estacionamento traseira apenas como opções cai bastante mal num carro com uma linha de carroçaria descendente e visibilidade para trás deficiente.
Se aqui há uma falha, noutros capítulos podemos encontrar abundância, nomeadamente nos sistemas de auxílio à condução desde que, claro, estejamos dispostos a abrir os cordões à bolsa. E é pena que os comandos nem sempre sejam evidentes. Para se desligar o aviso de transposição de faixa de rodagem, por exemplo, não basta premir um botão, como acontece noutros modelos. É preciso ir ao computador de bordo e encontrar essa opção no menu. Se nos esquecermos de o fazer antes de pôr o carro em andamento, o melhor é não pensar mais nisso até à próxima paragem...
Sentemo-nos então ao volante, que os preliminares já vão longos e impõe-se ligar o motor. Boa sonoridade, resposta eficaz e interessante, uma economia que é sempre de assinalar. Acoplado a uma caixa automática de sete velocidades cujas relações estão muito bem conseguidas, este propulsor mostra-se capaz de proporcionar boas sensações e só parece deixar-nos mal quando assumimos andamentos mais vivos em percursos sinuosos.