Basta um olhar rápido, mesmo ao longe, para perceber que este Mercedes série B não tem nada a ver com o seu antecessor. Onde estava o patinho feio da família (mesmo para quem não goste particularmente do visual Mercedes nas suas séries mais acessíveis, o B era um "mono") aparece um veículo elegante e com sinais exteriores de carisma. Em vez de opções interiores à moda dos monovolumes, temos argumentos mais generalistas, apontados à família, mas também ao condutor. Enfim, o série B é agora uma berlina.
O posto de condução mais baixo, a reorganização dos espaços para arrumos, a não disponibilização de terceira fila de assentos (que o anterior também não tinha), a conduta central no piso, a bagageira mais pequena. Não é só o desenho exterior, com o carro sensivelmente mais baixo (5cm) e mais comprido (9cm) do que o seu antecessor, a denotar a mudança de filosofia. Na verdade, e face à ausência de verdadeiros rivais neste segmento premium, a Mercedes tenta jogar no dois-em-um: continua a oferecer uma carroçaria de monovolume, mas a meio caminho de um turismo normal.
O que pode justificar esta opção? Em primeiro lugar, a crescente exigência de espaço em veículos deste tipo - e o classe B nunca foi campeão nessa área. Depois, a vulgarização dos sete lugares - a tal ponto que já dificilmente se classifica um carro como monovolume se não dispuser da possibilidade de oferecer uma terceira fila de assentos. E, finalmente, a questão, não despicienda, da imagem de marca. Os responsáveis da Mercedes nunca o assumirão, mas o anterior classe B, por maiores que fossem os seus predicados, fazia sempre figura de corpo estranho na linha da marca.
Agora já não é assim. Até porque, nomeadamente nesta motorização diesel de 109cv, o classe B capta com distinção uma das mais notórias imagens de marca da Mercedes: a suavidade. Ela está por todo o lado. Na suspensão muito confortável e capaz de proporcionar viagens sem sobressaltos em velocidade de cruzeiro (na verdade, só hesita em curvas a alta velocidade, onde parece "levantar" um pouco; e em mau piso, onde se mostra ruidosa), na direcção suave e competente, no motor pouco explosivo mas muito progressivo, na caixa cooperante.
Parece uma descrição feita à medida para um carro de longas distâncias - e é. Mas o classe B também se move bem em espaços apertados, graças à sua boa capacidade de manobra. A visibilidade não merece reparos, mas, na hora de estacionar, dão muito jeito os sensores (já para não falar da câmara traseira). O problema aqui é que estas ajudas estão disponíveis como opção - e a política de extras da Mercedes merece ser analisada.
A segurança recebe nota positiva e o classe B até já obteve a pontuação máxima, cinco estrelas, nos teste do consórcio Euro NCAP. Com airbag de joelhos para o condutor, alertas de cansaço e de colisão, há aqui muito por onde ficar bem impressionado. Só que, por outro lado, sistemas rotineiros, como o regulador de velocidade, os sensores de chuva ou os faróis de nevoeiro dianteiros, pagam-se à parte. Tudo somado, não ficamos com a impressão nítida de que a Mercedes ofereça mais equipamento pelo mesmo preço. Até antes pelo contrário.