A Audi, a BMW ou a Volvo não podem entrar nestas contas, mas há muito boa gente a apostar forte no segmento dos monovolumes - e já nem vamos falar das berlinas, que são mais baratas. Genericamente, tendo em conta motorizações com potências similares, o que se pode dizer é que a qualidade de construção da Mercedes (e a tal estrelinha na grelha...) pode ainda marcar pontos, mas não justifica, por si só, algumas diferenças de preço. Aos 32.500€ do construtor alemão, a maior parte dos rivais responde com preços abaixo dos 30.000€ (Ford C-Max, Peugeot 3008, Renault Scénic), deixando para o contingente alemão uma maior aproximação na factura: VW Touran, 31.300€; Opel Zafira 32.790€. Sem esquecer que muitos destes oferecem sete lugares...
Por outro lado, há que reconhecê-lo, o bom trabalho da marca no motor e na aerodinâmica possibilita consumos realmente baixos. E esse é um pormenor que já ninguém se dá ao luxo de descartar, mesmo quando se compra um Mercedes.
BARÓMETRO
+ Qualidade de construção, motor disponível e silencioso, conforto, visual elegante, consumos
- Materiais interiores sem brilho, espaço interior, suspensão em mau piso, alguns comandos pouco intuitivos, muitos extras pagos à parte
Normal
Ao princípio, quando nos sentamos, tudo parece normal. Até percebermos que deveríamos estar a notar a diferença entre um carro de turismo e um monovolume... Não a notamos porque ela não existe: o posto de condução do classe B não está mais alto, o volante surge no ângulo do costume, o tablier e a caixa de velocidades nas posições habituais. É um bom posto de condução. Para uma berlina.
Peculiaridades
Nem todas as funções de comando são particularmente intuitivas. Não se podem desligar sistemas num botão, só no computador de bordo - o que inviabiliza fazê-lo em andamento, a não ser que se disponha de um co-piloto cooperante. Por outro lado, a Mercedes insiste em algumas particularidades... já não surge aqui o travão de estacionamento accionado com o pé, mas mantém-se a regra de não haver bastão de comandos do lado direito do volante, atirando tudo para a mão esquerda. Uma nota ainda para os materiais, que, apesar do ar moderno, parecem pouco distintos, uns furos abaixo da tradição da marca.
Amiga
A direcção é solícita e comunicativa, apesar de parecer "levitar" um pouco quando se descrevem curvas a alta velocidade, tornando a condução em auto-estrada mais exigente do que devia. E o mesmo se pode dizer da suspensão, que oferece níveis de conforto muito elevados sem comprometer o comportamento dinâmico. Não gosta é de mau piso. Mesmo nada...
Evidente
Existem vários (e bons) espaços para arrumos, mas estamos longe da filosofia "tragam tudo cá para dentro" dos monovolumes. Aliás, abundam os sinais de aviso da mudança de filosofia do modelo: o piso não é plano nos lugares traseiros (o que torna pouco utilizável o lugar central), o rebatimento dos bancos não proporciona uma superfície de carga plana, a modularidade é reduzida. A mensagem é clara, para que ninguém venha ao engano.