Fugas - motores

  • Rui Soares
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Promessas por cumprir

Se, ao princípio, podemos arrumar a desilusão por baixo da coluna do despeito (o que vemos à partida provoca expectativas muito altas...), depressa um contacto mais prolongado nos tira essas ideias. Há, de facto, aqui, muitas potencialidades, mas é como se este carro fosse ainda um protótipo a precisar de melhoramentos. Ou disso ou de uma filosofia. Porque um motor silencioso é óptimo, mas de nada vale se essa discrição se dever à falta de disponibilidade. E uma direcção leve é excelente para manobrar, mas depois revela-se pouco comunicativa quando espevitamos os andamentos e radicalizamos as trajectórias. E podíamos continuar por aí fora.

Em suma, o Hyundai Veloster, que enfrenta no mercado (e com alguma vantagem nos preços, reconheça-se) rivais do nível do VW Scirocco, do Peugeot RCZ ou do Honda CR-Z, é uma fonte de grandes interrogações. A primeira das quais continua a ser: porquê desperdiçar um visual destes num carro que não o merece?


BARÓMETRO

+ Visual exterior e interior, "modularidade" concedida pela terceira porta, travões, caixa, insonorização, manobrabilidade
-
Dinâmica, prestações, suspensão, alguns materiais no interior, pedal do acelerador, altura nos
lugares traseiros


Útil

Do lado do condutor, a silhueta de um coupé; do outro... bom, do outro, um coupé com porta atrás... um familiar racing. Será isso. Seja lá o que for, a terceira porta dá muito jeito para aceder aos lugares traseiros e, como o piso é praticamente plano, não complica muito entrar por um lado e sentarmo-nos do outro. O problema é que pessoas com mais de 1,70m ficarão entaladas entre o banco e o vidro traseiro (em dias de calor, há-de ser desconfortável...). Para quem se preocupa mais com estas coisas da engenharia, ficam as angústias sobre a rigidez estrutural de um carro em que o primeiro pilar não fica paralelo entre os dois lados da viatura (porque a porta do condutor é muito maior).


Eficaz

O botão da ignição, em posição central, domina as atenções e reforça a ideia de que estamos perante um automóvel de vocação desportiva. Mas esqueçamos isso. Com um visual moderno e bastante dinâmico, o quadro de instrumentos não cedeu a função aos ditames da forma. Mostra-se mesmo muito prático, dotado de comandos intuitivos e ergonomia acima da média. Para mais, saúde-se a multiplicação de excelentes espaços para arrumos. Bom esforço.


Vale a pena

Um dos defeitos mais comuns dos coupés de dimensões compactas é a falta de visibilidade, que pode mesmo ser acompanhada, nos casos mais dramáticos, por uma sensação de claustrofobia para quem viaja nos lugares traseiros. A necessidade de fazer mergulhar a traseira, aliada à tendência estilística para pilares volumosos e linhas de cintura muito altas, quase fez desaparecer o vidro dos carros deste tipo. Não é o caso do Veloster, para mais se optarmos pela instalação do tecto panorâmico. É uma opção a ter em conta, porque quase todo o habitáculo fica aberto ao exterior.


Terrível

O motor, já se disse, é um pouco sensaborão. Mas, apoiado numa caixa bastante competente, ainda poderia mostrar algum serviço, não fosse a horrível disposição do pedal do acelerador. Ao princípio, odiamos o motor. Depois transferimos a culpa para o pedal, que bascula do piso do carro, obrigando a um movimento muito amplo do pé para obter acelerações perceptíveis. Passadas estas duas fases, percebemos que a culpa deste tédio será repartida. Mas era mais fácil mexer no pedal...

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