Fugas - motores

  • Fernando Veludo/Nfactos
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Diversão em estado puro

Por Alberto Pires

A mais pequena das Duke revelou-se digna do nome. Para isso contribui, a sua simplicidade, facilidade de condução e leveza, sendo particularmente divertida de conduzir em cidade.

Pode-se gostar ou não do género mas é um facto que ninguém fica indiferente à estética das Duke. As formas são agressivas, os ângulos acentuados, não há superfícies curvas e tudo está à vista. Esta simplicidade tem a vantagem de valorizar cada um dos elementos e nota-se que nada foi deixado ao acaso, acabando por funcionar em conjunto. A sensação de vazio que sobressai no primeiro contacto evolui assim para algo mais positivo com o tempo, graças à descoberta e valorização dos detalhes, que continuam a surgir ao longo da utilização.

O arranque do motor é instantâneo, sem esforço, mostrando pouca inércia e vibração. O banco é baixo, coloca-se os pés com facilidade no chão, o guiador oferece uma posição natural dos braços e os comandos são suaves. Já os pedais estão algo recolhidos, mas rapidamente memorizamos a posição. O arranque é suave e a progressão mantém o registo até às 7.000 rotações. Apenas o ruído proveniente da ponteira de escape contraria a harmonia no funcionamento, incentivando naturalmente a que se acelere mais.

Não o fazendo, vai-se trocando de velocidade e aumentando gradualmente o ritmo. No empedrado as suspensões revelam-se duras, tal como o banco, que não contribui para absorver as irregularidades, mas acaba por ser um detalhe já que quem a escolher não está à procura desse tipo de comportamento. O raio de viragem é bom, dá-se a volta em menos de 4,3 metros, e a iluminação convincente, mesmo em médios. Um detalhe curioso: a luz existente nos comandos, facilitando a sua operação à noite, sobretudo enquanto não temos os movimentos automatizados.

Menos bem a posição dos espelhos, demasiado recuados, apesar da visão proporcionada ser razoável. Limitado é também o espaço para arrumação, não cabendo debaixo do banco praticamente nada. Não sendo um desígnio deste modelo, quem tiver que carregar algo mais que não caiba nos bolsos do casaco deverá recorrer ao catálogo da marca e escolher uma das malas à disposição, estando disponíveis versões para colocar por cima do depósito ou no banco do passageiro.

A protecção aerodinâmica é reduzida, mas para a utilização a que se destina não se revela um problema, antes pelo contrário, aumenta a partilha com o meio ambiente. Nas vias rápidas flui sem dificuldades e, quando é preciso algo mais para ultrapassar, o moderno monocilíndrico mostra o que vale.

O seu potencial revela-se aumentando o ritmo, espremendo cada velocidade até que a luz vermelha acenda no painel, indicando que chegou o momento de trocar de relação, pois já estamos perto do limite de rotação. O escape liberta agora toda a sua sonoridade, sente-se que agarra cada velocidade com energia suficiente para procurar a seguinte e deixamos de a conduzir apenas, sendo evidente que entramos agora num novo modo, o da diversão.

A facilidade proporcionada pela ciclística, com uma frente estável mas rápida na mudança de direcção permite que confiemos na travagem, sendo incrível a satisfação possível de extrair de uma moto com apenas 15cv. Outra surpresa é o consumo verificado a este ritmo, que se quedou nos 3,8 litros, sendo impossível gastar mais. Baixando o ritmo, para uma utilização normal, é possível ver no painel de instrumentos que o consumo baixa para quase metade, estando também disponível informação relativamente à sua autonomia.

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