No plano mecânico, as notícias continuam a ser positivas. O motor de três cilindros é muito alegre e disponível, embora não muito económico, conseguindo acelerações interessantes (apesar da embraiagem esponjosa) e recuperações surpreendentes - um cenário que, claro, se altera com mais peso a bordo. A caixa é excelente, os travões bons, a direcção leve mas comunicativa, o comportamento em curva perfeitamente comparável ao de carros maiores. A capacidade de manobra é, também, merecedora de elogios.
A ideia de base da VW foi criar um carro simples e prático. O plano é entrar, rodar a chave e arrancar. E foi conseguido. Um painel de instrumentos bastante acessível, comandos legíveis e intuitivos, nada de complicações. Mas é claro que as versões de cinco portas (chegarão lá para meados do ano) serão ainda mais práticas. O que nos leva às reticências finais. Os responsáveis da marca em Portugal adiantam apenas que "será possível comprar um Up! por menos de 11.000€". A VW nunca foi campeã dos preços baixos e, num mercado onde alguns rivais conseguem andar abaixo dos 10.000€, isto pode ser um problema. Tanto mais que este modelo é apenas um de trigémeos: o Seat Mii já aí está e o Skoda Citigo virá em breve. Alguém duvida de que serão mais baratos?
BARÓMETRO
+ Qualidade geral, mecânica, espaço a bordo, luminosidade, equipamento, filosofia moderna
- Preço, consumos, falta de pneu suplente, visual menos "querido" do que os modelos da concorrência, só três portas (por enquanto)
Sedutor
É opção e custará à volta de 300€. Mas quase se pode dizer que muita da alma deste modelo gira à volta do pequeno ecrã táctil instalado em posição central sobre o painel de instrumentos. Sim, é um sistema de navegação, mas também um painel de comando do computador de bordo, um complexo multimédia e uma central telefónica (pode receber dois cartões de telemóvel). Codificado de forma a só funcionar na viatura em que está instalado, o maps+more é à prova de roubo. E, por ser portátil, também pode ser usado para encontrar o carro quando andamos a pé, uma vez que memoriza a posição do veículo sempre que este se imobiliza. Um espectáculo!
Plano B
O grosso do mercado neste segmento gira à volta das cinco portas. Por isso, analisar o acesso aos lugares traseiros nas versões de três portas será sempre discutir o plano B. No Up!, a manobra é fácil, graças ao rápido e pronunciado abatimento dos bancos dianteiros e às dimensões generosas das portas. Mais chato é descobrir que o banco do condutor não memoriza a sua posição anterior... No nível de equipamento High Up! surpreende ainda que o aquecimento dos bancos dianteiros seja de série. É notável, mas de pouco servirá em Portugal.
Esperto
Num carro deste tamanho, e com o perfil de utilização crescentemente familiar a que a crise obriga, não é despiciendo o tamanho da bagageira. O Up! responde com um compartimento bastante grande, embora demasiado profundo para se poder considerar prático. A solução foi criar uma tampa intermédia, que divide o espaço em altura e permite criar dois níveis separados (só está disponível no nível de equipamento High Up!). No fundo da bagageira, uma tampa dá acesso ao espaço para o pneu suplente... que não tem pneu. As marcas continuam a fazer poupanças onde não deviam.