Ao contrário do seu primo, da série 3, a derivação M do série 5 tenta disfarçar o carácter desportivo, em vez de o realçar. É claro que as quatro saídas de escape, as jantes especiais ou a entrada de ar dianteira podem fornecer algumas pistas, mas, visto ao longe ou com olhos pouco treinados para estas coisas, este é um BMW normal. Uma berlina familiar, com cinco lugares, bagageira grande, quatro portas. Parado, ainda pode enganar. Mas, mal se pressiona o comando da ignição, já não há maneira de iludir o óbvio: estamos perante um monstro da estrada. O som do "galope" dos 560cv debitados pelo motor V8 de 4,4 litros é qualquer coisa de siderante. Depressa se perceberá que não é só fogo-de-vista.
Para quem já teve o privilégio de conduzir alguns automóveis de elevada potência e performance explosiva, não é tanto a força do motor ou a sua capacidade para nos levar a velocidades elevadas em escassos segundos que impressiona. É a suavidade com que tudo isso acontece. A naturalidade com que o carro nos leva dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,4s - e pouco mais demora a chegar aos 150 km/h... Estamos a desfrutar de prestações dignas de um superdesportivo, mas comodamente sentados num carro familiar, com espaço e conforto. E equipamento para dar e vender. Bom, algum é mesmo para vender, reconheça-se: nesta viatura de ensaio apinhavam-se cerca de 20.000€ de extras. Sendo política habitual da marca, esta extensa lista centra-se essencialmente nos dispositivos electrónicos de ajuda à condução e nas mordomias de entretenimento, mas alguns itens bem podiam estar incluídos no preço-base de quase 138.000 €...
E é quando o factor económico entra na equação que os entusiasmos esfriam. O M5 não é só caro no momento da compra. Faz-se pagar ao longo da viagem. Para começar, só "bebe" gasolina de 98 octanas. E, apesar dos notáveis progressos feitos em relação à geração anterior (que gastava bem mais e tinha umas boas dezenas de cavalos de potência a menos), é impossível desfrutar de um motor deste calibre sem arregalar os olhos de cada vez que vamos à estação de serviço - apesar de, de forma até algo anacrónica, este portento vir equipado com um sistema Start/Stop que desliga o motor durante as paragens. A marca aponta 9,9 litros aos 100 km, mas apetece oferecer um prémio a quem se conseguir aproximar desse valor. Pelo menos alguém que saiba e goste de conduzir. Pois... Sem exageros estratosféricos, a média do teste rondou os 14,5 litros/100 km. Mas a experiência vale cada cêntimo.