Mas quererá isto dizer que todos ficarão felizes, ou completamente felizes, com esta transformação? Não. Fica um ligeiro travo a desilusão quando percebemos que a direcção é agora menos comunicativa; que a suspensão conseguiu melhorias ao nível do conforto sacrificando algumas das boas sensações que proporcionava em curva; que os travões não são particularmente assertivos. Dito assim, sobra a conclusão: os carros da BMW estão a ficar iguais aos outros?
Bom, apetece dizer que sim. Mas quando um construtor usa as armas electrónicas que tem ao seu dispor, então não há respostas simples. Sim, o 320d é agora mais uma berlina familiar do que um proto-desportivo, assim uma espécie de antecâmara do reino da adrenalina. Só que isso é quando o modo de condução é o que se activa por defeito ao carregarmos no botão da ignição. Estamos em Comfort e ainda podemos ser mais racionais e optar pelo Eco Pro, que privilegia a economia e a ecologia - e este é um motor com notável desempenho neste campo.
Mas, em sentido inverso, existe a opção Sport (em opção podemos ter ainda Sport +, um figurino que desliga as ajudas electrónicas e não se recomenda a quem não tenha mãozinhas ou enfrente condições adversas). Accionando uma destas configurações, regressa toda a magia BMW: um motor generoso, uma suspensão que não dá tréguas, uma direcção que permite sentir melhor o que se passa na estrada. E, essencialmente, relações mais curtas e maior velocidade de passagens na que será, muito provavelmente, a melhor caixa automática que por aí anda... Com oito velocidades, pode ainda ser accionada em modo sequencial na alavanca ou através de patilhas no volante.
Se a estética exterior se altera sensivelmente (uma frente mais arredondada reforça a filosofia de "não-violência"), é no interior que se notam as maiores diferenças. O carro é nove centímetros mais comprido do que o seu antecessor e também um centímetro mais alto. A distância entre eixos cresceu cinco centímetros e isso reflecte-se nas cotas de habitabilidade oferecidas aos passageiros da segunda fila, que ganham espaço para os joelhos. Mas, mantendo a largura do habitáculo e insistindo na clara definição dos lugares laterais, a BMW não consegue oferecer um quinto assento de qualidade.
A sensação geral de franco agrado é quebrada quando se notam alguns pequenos problemas. Antes de mais, a insistência pela não regulação em altura dos cintos de segurança - apesar das amplas possibilidades de acerto do banco do condutor e da coluna de direcção, pode ser difícil em alguns casos garantir a correcta colocação do cinto. Só que isto não é nada comparado com outro pecadilho, este sim muito aborrecido. Por alguma razão que a razão desconhecerá, as portas teimam em ficar mal fechadas se não forem batidas com alguma energia...