Fugas - motores

Continuação: página 2 de 3

Chegou o BMW low-cost

Ao contrário do que sucede com outras versões, o simples pulsar do botão que escolhe o modo dinâmico não provoca uma transformação radical nas sensações de condução. Sim, a opção por Sport devolve alguma da vivacidade que nos habituámos a encontrar num BMW, mas nada de espantar - e, a certa altura, somos levados a concluir que não vale a pena e conformamo-nos com a atitude responsável e sensata de quem poupa combustível sem ter de andar "a pisar ovos". Aliás, para além de nos indicar qual a mudança mais adequada ao andamento, o carro também nos avisa quando estamos a carregar demais no acelerador. Aparece uma luz com a imagem de um sapato sobre o pedal... Como surge em situação normal de condução, ao princípio nem se percebe bem o que é.

A qualidade geral do carro não se ressente desta preocupação com a economia. Este é o primeiro BMW com emissões abaixo das 100g/km (99g/km), o mais barato de todos (27.900€, menos 2500€ do que o 116d, que tem motor de dois litros) e um dos modelos com menor consumo anunciado (3,8 l/100 km). Mas as economias ficam por aí. É um BMW low-cost, mas é, acima de tudo, um BMW.

BMW 116d ED
Motor: 1598cc
Potência: 116cv às 4000 rpm
Veloc. máxima: 195 km/h
Acel. 0/100 km/h: 10,5s
Consumo: 3,8 l/100 km
Emissões CO2: 99 g/km
Caixa: Manual, de seis velocidades
Preço: 27.900€ (versão ensaiada: 34.140€)


A diferença que faz um motor

Se o 116d ED satisfazia as pretensões do consumidor que também gosta de conduzir, um passo acima as prioridades invertem-se. A versão ecológica do série 3 responde às ambições do condutor que não pode esquecer a sua faceta de consumidor. Ou seja, o primeiro dá primazia à racionalidade sem esquecer a paixão; o segundo põe esta em primeiro plano, mas mantém argumentos racionais. O 320d ED é, por isso, um BMW mais "normal", cujo valor assenta em performances e comportamento, sem hipotecar os objectivos de ser económico. E a diferença é o motor.

Onde os 116cv do modelo mais pequeno se mostravam capazes, os 163cv do 320d ED garantem uma qualidade de vida sem concessões. Onde se analisava realisticamente a relação entre expectativas e pragmatismo, passámos a admirar a capacidade de andar bem sem gastar muito. Num teste contido, mas sem esforços artificiais para controlar os consumos, o série 3 gastou menos de 6,4 litros aos 100 km - é um pouco mais do que o conseguido com o série 1, mas o balanço final é bem melhor. E fica mais perto dos números fornecidos pelo construtor.

Sim, no 320d ED também somos constantemente recordados da necessidade de sermos frugais com o combustível. O indicador dos quilómetros poupados com a gestão eficiente da electrónica passa de azul a cinzento quando não estamos a poupar - e isso acontece invariavelmente acima dos 100 km/h ou por volta das 1700 rpm. Quer isto dizer que a "inteligência" do carro foi afinada para os andamentos moderados; acima disso, a marca achou que já não haveria muito a fazer. Já agora, o carro também arranca sempre no modo dinâmico mais poupadinho - EcoPro.

--%>