Se prima pela descrição ou gosta mesmo de passar despercebido, o melhor é virar já a página. É que quase de certeza este não é carro que lhe interesse - nem que se avance desde já ser a mais barata e económica versão do Mercedes SL. Equipado com o novo 3.5 V6 de 306cv, o SL 350 chega com um consumo anunciado inferior a oito litros por cada 100 km (sensivelmente menos dois litros do que a geração anterior, embora esta marca não seja fácil de cumprir) e custa, sem quaisquer extras, 121.000€.
Mas se, pelo contrário, não se importa nada de atrair olhares pouco discretos, então aqui está uma escolha certeira. É que, por mais voltas que se dê, é mesmo difícil passar despercebido. E nem são precisos grandes malabarismos para atrair atenções: afinal o SL 350 transporta nos seus genes características do mítico modelo do início dos anos 50. E nem deixa ficar mal o original, cumprindo os requisitos de dinâmica ou conforto. E, claro, de estilo.
Seja em versão encapotada ou de cabelos ao vento, a frente agressiva, aliada a uma silhueta musculada - e marcada pelas aberturas laterais que, rasgadas, lembram o corpo de um tubarão ou pelos faróis dianteira redesenhados -, impressiona tanto pela estética como pelo poder que se esconde sob as suas linhas atléticas: os 306cv que habitam o motor de 3,5 litros e que se revelam às 6500 rotações permitem uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,9s. Tudo isto com um binário de 370 Nm entre as 3500 e as 5250 rotações.
Ainda assim, o que mais se destaca nesta nova geração (a sexta) é a agilidade - o que se deverá também ao facto de a marca ter conseguido reduzir o peso em 140 kg ao trocar o aço pelo alumínio, particularmente na carroçaria, o que resulta numa também maior rigidez. Seja em modo Eco, Sport ou Manual, a agilidade e a precisão, garantidas pelo sistema de série Torque Vectoring Brake, são notas dominantes e tornam a condução mais prazenteira. Particularmente em curva. É que este SL 350 não se limita a gostar de auto-estrada; pede mesmo por algumas curvas para mostrar o que vale.
Embora, sejamos francos, a maioria das vezes nem apetece tirar proveito de toda a força e potência - até porque, pressentimos, elas estão lá e respondem assim que lhes for solicitado. Também porque é quando se anda mais devagar que a capota para baixo se torna mais amigável. E, se accionado outro mecanismo - o deflector que se ergue atrás das nossas cabeças como uma espécie de cortina -, nem os cabelos despenteia.
Já em velocidade de auto-estrada, este descapotável transforma-se depressa numa desagradável e barulhenta experiência. Mas, se isto de pôr e tirar capota há uns anos seria uma dor de cabeça, agora faz-se num estalar de dedos e sem qualquer esforço. Menos de 20s. É o tempo que demora toda a estrutura superior a recolher e a transformar o SL 350 de um coupé num descapotável. E basta mesmo carregar num pequeno botão (como opcional, até se pode fazê-lo à distância recorrendo a um controlo remoto). A operação é rápida e, sobretudo, prima pelo silêncio. Mas mesmo que o boletim meteorológico atraiçoe as nossas intenções, há forma de combater a claustrofobia, incluindo, como no nosso caso, um tecto panorâmico que pode mostrar-se completamente translúcido.