Quando começaram a aparecer, os SUV(Sports Utility Vehicles) eram vistos, sobretudo, como amigos das saídas de fim-de-semana. Misto de todo-o-terreno e de carrinha, com parâmetros de condução cada vez mais semelhantes aos das berlinas, estes veículos volumosos pareciam destinados a uma vida de devorar quilómetros em cenários de vastos horizontes. Mas o mercado não se ficou por aí. Desde logo porque entrou em cena o público feminino, que se desloca bastante em ambiente urbano e gosta de ter um carro que imponha respeito nos cruzamentos... E, vai daí, os SUV invadiram a cidade.
Quando olhamos para um Q5, o modelo intermédio da Audi neste segmento (entre o Q3 e o Q7), dificilmente pensamos em idas ao supermercado ou horários escolares. Mas pais e mães andam por aí neles - e mais andariam, não fossem os preços. Ou seja, deixemo-nos de ideais pré-fabricados e vamos ao que interessa: os SUV em geral, e este em particular, transformaram-se em bichos urbanos. E todo este raciocínio vem a propósito da motorização híbrida do Q5. Que faz todo o sentido, apesar de não parecer.
Constatar isto não significa que fiquemos convencidos das virtudes desta opção. É claro que cada um sabe da sua vida, mas, caramba, é possível lembrarmo-nos, assim de repente, de umas largas dezenas de modelos bem mais adequados e económicos para circular em cidade. Restringir um carro como o Q5 ao tráfego citadino é um desperdício. Mas que agora recebe um incentivo.
Em relação ao seu irmão convencional, este Audi aumenta a potência para 245cv e apresenta consumos mais baixos (6,9 litros aos 100 km, para 8,6 no 2.0 TFSI de 211cv). Mas estes são números "de fábrica", virtualmente inalcançáveis numa utilização normal. Durante o teste da Fugas - e ressalvando que se andou bastante fora da cidade, minimizando os efeitos da poupança proporcionada no pára-arranca pelo propulsor eléctrico - a média aproximou-se dos 12 litros aos 100 km.
Se é para desfrutar do conforto e bom ambiente a bordo, então vale a pena. Mas para isso é preciso alongar o itinerário, procurar a estrada aberta, partir em busca de espaços livres. Neste registo, o Q5 é sempre um excelente companheiro. Não precisa é de ser híbrido... As grandes virtudes apresentadas são as do modelo, esta versão pouco ou nada acrescenta, nem sequer em termos de poupança de combustível (e, por ser mais pesada, provavelmente até gastará mais).
Percebemos a filosofia pouco interventiva do sistema eléctrico assim que arrancamos com o carro. Liga-se a ignição, silêncio, modo eléctrico activado. Carrega-se no pedal do acelerador e, quase de imediato, ouve-se o motor de combustão. Nem sequer é preciso arrancar com vigor; a pressão normal no pedal reflecte-se imediatamente na passagem ao modo convencional. Onde o motor eléctrico marca pontos é nos andamentos pouco vivos, quando é possível manter o ponteiro do "Power Meter" (o manómetro onde se visualiza, em percentagem, a utilização da potência disponível) abaixo dos 30%. A partir daí - e não é difícil passar essa marca - só conta a gasolina.