Fugas - motores

Um passo em frente

Por João Palma

Líder nas vendas de veículos híbridos, a Toyota dá um passo em frente com o económico Prius Plug-in. Com 1200 km de autonomia, a bateria recarregável permite rodar até 25 km em modo eléctrico puro. Só é pena o preço ser ainda alto.
Com cinco lugares, uma mala com 443 litros, 180 km/h de velocidade máxima e uma autonomia anunciada de 1200 km, o que distingue o Toyota Prius Plug-in de um outro automóvel do segmento C com motor de combustão interna? Para começar as médias de consumos e emissões de, respectivamente, 2,1 l/100 km e 49 g/km. Depois, a capacidade de circular até 25 km a um máximo de 85 km/h em modo 100% eléctrico. Por fim, o seu preço, 38.000€, uns milhares de euros acima de um carro equivalente com motor a gasóleo.

É verdade que a qualidade de acabamentos e o equipamento deste novo modelo da Toyota são de nível comparável a bons veículos do segmento D, mas há que saber quantos milhares de quilómetros terão de ser percorridos para a poupança em consumos compensar o acréscimo no custo de aquisição em relação a um modelo com motor de combustão interna do mesmo segmento e com o mesmo nível de equipamento. De qualquer modo, já dá para começar a fazer contas. Uma coisa é certa: dado o preço e a autonomia actuais de um carro 100% eléctrico, é evidente a vantagem de uma solução do tipo do Prius Plug-in, que se engloba na categoria de veículos com extensor de autonomia.

Comparáveis ao modelo da Toyota apenas o Opel Ampera ou o Chevrolet Volt (há outras marcas que preparam lançamentos do género). A diferença principal é que nos carros do grupo GM o motor a gasolina serve apenas para alimentar o gerador que carrega as baterias que alimentam o motor eléctrico, o único que faz deslocar tanto o Ampera como o Volt.

No caso do Prius Plug-in, tanto o motor eléctrico como o de gasolina contribuem para a locomoção do veículo. Também há diferenças na autonomia em modo eléctrico e no tempo de carga das baterias. No Ampera ou Volt, são, respectivamente, até 80km e 4 a 6 horas para a carga numa tomada doméstica; no que se refere ao Prius Plug-in, a autonomia é de até 25 km e o carregamento (que não existe num Prius normal) processa-se em 90 minutos, também numa tomada doméstica.

A maior desvantagem do carro japonês em relação aos modelos da GM é a autonomia em modo eléctrico. As vantagens são o preço mais acessível, a maior autonomia total, as melhores performances e a habitabilidade, não só no que se refere à capacidade da mala como ao facto de o Prius Plug-in poder transportar cinco pessoas contra as quatro dos Opel Ampera e Chevrolet Volt.

Este modelo é o terceiro da gama Prius, que inclui ainda o Prius propriamente dito e o Prius+ (7 lugares). O sistema de propulsão Hybrid Sinergy Drive é basicamente o mesmo nos três, a principal diferença reside no facto de a bateria do Prius Plug-in ser recarregável por meio de fonte externa (a tomada está situada do lado oposto ao da tampa do depósito de combustível) e proporcionar uma autonomia em modo 100% eléctrico cerca de dez vezes superior à dos outros dois Prius.

Semelhante é o facto de, mesmo quando a bateria não tem carga suficiente para que o carro possa funcionar em permanência em modo eléctrico puro, graças à recuperação de energia na travagem, desaceleração e descidas, ir complementando o motor de combustão interna, pelo que, depois da autonomia eléctrica se ter esgotado, as médias de consumo e emissões são de 3,7 l/100 km e 89 g/km de CO2.

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