Do lado de fora, sobressai o seu capot, discretamente projectado em V (que tem o seu ponto de encontro precisamente no símbolo da marca) e rematado por uma frente que parece arreganhar dentes e que, mesmo em toadas calmas, leva muitos a afastarem-se do caminho. De lado, uma única e saliente moldura a apanhar as janelas da frente e de trás afirmam a sua veia coupé. E na traseira é, nos tempos que correm, o "i" que mais fãs angaria: "é a gasolina!", constata alguém num tom que oscila entre a admiração e um pouco de inveja calculando a liberdade de movimentos na conta bancária para sustentar o portento.
Dizem os dados oficiais que precisa entre 7,7 e 7,9 litros aos 100 km, em percursos mistos, mas vimo-nos aflitos para colocar a fasquia abaixo dos dez. Confessemos, porém, que com várias modalidades de condução, da mais económica à mais agressiva, é difícil ficarmos sossegados nas funções mais comedidas. Até porque é aliciante observar a alteração de comportamento. Assim que se carrega no botão para um tipo de condução mais dinâmica, o carro dispara. Em velocidade, em rotações, em ronco (e que bem que soa). E nós seguimo-lo, animados por uns instantâneos (mas fugazes, sublinhe-se - talvez aqui o 650i, com um V8, esperado para este Outono, se mostre mais expressivo) salpicos de adrenalina.
Mas se são emoções que se procuram, então o ideal é deixar as brincadeiras dos botõezinhos de lado e optar desde logo pelo modo mais desportivo, o qual pode ser beneficiado pela utilização da caixa pilotada. Até porque, sob o agressivo capot esconde-se um motor que faz jus à imagem do carro: com seis cilindros em linha, este 3.0 litros debita 320cv entre as 5800 e as 6000 rotações e revela um torque de 450 Nm, que se sente logo a partir das 1300 rotações (e até às 4500). Não é por isso de admirar que registe, segundo informa a marca, apenas 5,4s dos 0 aos 100 km/h, ligeiramente melhor, por exemplo, do que os 5,6s do Porsche Panamera 4.8 S com 400cv.
Resumindo, não sendo propriamente um carro de corridas, não deixa os seus créditos por mãos alheias e consegue tanto garantir estabilidade nas várias solicitações como revelar um espírito que requer perícia para domar.
Tem, porém, outros atributos a seu favor. Como as dimensões que explicam o Gran do seu nome. Não deixou de facto de ser um coupé no comportamento e até na forma como se entranha, mas não descura o espaço traseiro: de acordo com a BMW há mais espaço para pernas e em altura (mais cerca de 12 cm para as pernas e três em altura face ao série 6 coupé), acomodando confortavelmente quatro passageiros - os cinco até podem caber mas a viagem não trará conforto nem sossego a ninguém.