Fugas - dicas dos leitores

Helder Taveira

Vagueando por Havana (e não só)

Por Helder Taveira

No final de ano, viajei até Cuba para mostrar à minha companheira a bela cidade de Havana, que eu já conhecera há cerca de 12 anos.

Havana continua mística e agradável. Vagueamos pelas ruelas com os imponentes e degradados palacetes. A cada passo, somos abordados pacificamente por aqueles que nos tentam impingir os charutos de duvidosa qualidade e por aqueles que apenas querem fazer uma corrida de táxi num belo carro com mais de cinquenta anos e que bem poderia estar num museu.

Beber um mojito na Bodeguita del Medio que Ernest Hemingway ajudou a celebrizar, passando pelo quarto 511 do Hotel Ambos Mundos na Calle Obispo, em pleno coração de Havana Velha, quarto onde aquele escritor viveu alguns anos e onde começou a escrever o livro Por quem os sinos dobram na máquina de escrever que continua em cima da mesa do pequeno quarto com vistas privilegiadas.

Mesmo ao lado deste hotel, quando passávamos pela Rua dos Mercaderos, deparámo-nos com uma placa à entrada do café, Casa de Las Infusiones, e que fazia alusão ao nosso Eça de Queiroz que, aquando da sua estada em Havana como cônsul, frequentava diariamente aquele espaço. Estava calor, entrámos para beber uma água e apreciar um belo painel de azulejo alusivo ao grande escritor, numa homenagem do antigo Presidente da República Jorge Sampaio.

As duas noites no Hotel Nacional, cheio de história e ligado à revolução cubana e à crise dos mísseis, foram enriquecedoras. Tivemos direito a uma visita guiada pelo jardim do hotel onde ainda se encontram as trincheiras e as antiaéreas que estiveram a postos por altura da Guerra Fria, concretamente na crise dos mísseis.

O passeio pelo Malecón, a Praça da Revolução, a Praça da Catedral, sempre, sempre, com a presença de Che Guevara em todos os cantos por onde passamos, quer em fotos, livros e artesanato. O almoço num paladar mesmo ao lado da catedral ao som de música cubana foi generosamente servido. Optámos pela lagosta e não nos arrependemos!

Emocionante a visita a Santa Clara, cidade onde os guerrilheiros comandados por Che venceram as tropas de Fulgêncio Batista que, pouco tempo depois, fugiu para os Estados Unidos. Visitámos o museu onde repousam os restos mortais de Che e dos outros guerrilheiros, mortos na Bolívia. No museu encontrámos muitos dos objetos que pertenceram ao grande ícone da libertação dos povos: a boina que usava, o cachimbo, as armas, objectos que me transportaram para a serra Maestra, imaginando Che debaixo de uma árvore a fumar calmamente o seu cachimbo. No exterior, o memorial que lhe é dedicado impressiona pela gigantesca estátua. 

A passagem fugaz por Cienfuegos, às portas do mar das Caraíbas, foi agradável. Faz jus ao nome por que é conhecida, “Pérola do Sul”. A limpeza é na verdade o cartão-de-visitas da cidade.

A visita a Trinidad, cidade fundada em 1514, considerada pela UNESCO, em 1988, património da Humanidade, fica na retina. Fica-se com a sensação que o tempo parou na época colonial. Entre os séculos XVII e XIX foi um importante centro de comércio de açúcar e de escravos (onde certamente se transaccionaram muitos dos dois milhões que foram introduzidos na ilha). A igreja do convento de São Francisco destaca-se pelas suas cores e beleza.

Acabámos a tarde num bar com uma bebida típica, a canchánchara, feita de rum, lima, água e mel. Belo final de tarde. Hasta siempre.

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