Fugas - dicas dos leitores

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Croácia, o filho mais novo da União Europeia

Por João Pontífice Gaspar

Depois de uma semana em Itália, foi em Ancona que apanhámos o barco para rumar até Split, território croata.

Ainda em Ancona, comecei a imaginar como seria a travessia... Há quantos anos não andava de barco? O que nos esperava? Os mochilões que nos acompanhavam chegariam ao destino? Só sabíamos que a viagem tinha duração prevista de onze horas e meia. Partir de Ancona às 20h30 para chegar a Split às 8h.

Entrámos no barco de oito andares, os três primeiros carregados de carros. Começámos a subir, a andar, e...as condições eram muito boas! Havia bar, restaurante, supermercado, casino... Havia até uma capela. Ficámos admirados com o que vimos... pela módica quantia de 43€ por pessoa!

No barco viajavam casais idosos, pais e filhos, jovens turistas como nós. Havia quartos que pareciam de hotel mas esperava-nos algo mais modesto. Sala partilhada com outros viajantes, onde as cadeiras baixavam um pouco para dormitar. Mas queria tudo menos descansar!

Era meia-noite. O barco já navegava há quase quatro horas. Resolvi ir à popa e escrevi pela primeira vez no Caderno do Viajante (de Gonçalo Cadilhe): "Vento forte mas não frio, Adriático como pano de fundo...apenas a luz dos muitos relâmpagos a iluminar a rota...não é o momento, certamente, em que me sinto mais seguro na vida mas é um dos mais incríveis a que já assisti!"

Sendo banhada pelo Mar Adriático, a Croácia é composta por inúmeras ilhas. E o primeiro destino previsto era, exactamente, uma delas, Hvar. Sendo mais preciso, a primeira paragem foi Split, porque nessa cidade atracou o barco que partiu de Ancona. De Split apanhámos então outro ferry, em direcção à mencionada ilha.

Chegados a Hvar, deparámo-nos com cerca de 15 cidadãos locais (mulheres e homens) a dar informações sobre o que tinham para alugar: "Oh, I have bedroom with wc!... Oh, I have free wi-fi!... Oh, I have air condition!" Em quem acreditar? Foi a uma senhora de meia-idade que alugámos um quarto para duas noites.

Hvar é uma ilha predominantemente turística com a respectiva repercussão nos preços, mais elevados do que na Croácia em geral. A ilha vale mais pelas paisagens e praias: poucas pessoas, água transparente, temperatura ideal. Para além das praias, há que destacar as casas com poucos andares e uma marina que já começa a ser pequena para os iates, barcos e barquitos atracados.

Depois de três dias em Hvar, apanhámos novo ferry para nova ilha, Korcula, que é uma ilha eminentemente turística mas com duas diferenças importantes relativamente a Hvar: na primeira, os turistas chegam de muitas partes do globo; na segunda, os visitantes são, essencialmente, croatas. Por outro lado, Hvar está repleta de turistas jovens, ao invés de Korcula, onde predominam visitantes mais velhos. E aqui é a pacatez quem mais ordena! Logo na primeira noite, o que via à minha volta era de tal forma invulgar que apeteceu-me escrevinhar no Caderno do Viajante: "No céu, o cenário é luminoso com inúmeras estrelas facilmente identificáveis e que projectam quase tanta luz como os poucos candeeiros existentes em terra! O que descrevo é idílico mas absolutamente verdadeiro: a 30 metros (sim, escassos 30m!) da nossa almofada está uma baía! Nas águas calmas da baía, circundada por arvoredo, vários são os pequenos barcos existentes. Que vista surreal! O paraíso não deve ser muito diferente disto!"

Os cinco dias destinados às ilhas croatas estavam terminados mas a aventura seguia a bom ritmo. Next stop, cidade costeira de Dubrovnik, sudoeste da Croácia. É uma cidade cosmopolita, repleta de turistas, rodeada de muralhas e fortificações e com um porto que merece destaque. Pela sua localização geográfica, pela beleza do seu território, pelo pujante e secular comércio marítimo, Dubrovnik sempre foi uma cidade atraente para quem a visita. Mas...

A 6 de Dezembro de 1991, caíram bombas em Dubrovnik. No seguimento do processo de independência da Croácia e do consequente desmembramento da Jugoslávia, forças militares da Sérvia e Montenegro atacaram Dubrovnik. Com sete meses de bombardeamentos, estima-se que um em cada três edifícios tenha sofrido estragos. Hoje Dubrovnik é uma cidade quase toda reconstruída; em 1979, a UNESCO declarou o perímetro das suas muralhas Património Mundial da Humanidade.

E, entre Itália e Croácia, já se passaram duas semanas. Mas ainda houve tempo para dar um pulo a mais um agradável destino. Do pequeno aeroporto de Dubrovnik apanhámos avião para Zagreb, com o objectivo de irmos ver os lagos de Plitvice, que ficam a cerca de duas horas e meia (de autocarro) da capital croata. Inseridos num enorme parque natural onde até hotéis há, os lagos de Plitvice têm também floresta virgem, cascatas, espécies protegidas. O parque apresenta uma manutenção impecável, oferecendo, inclusivamente, a todos os turistas uma pequena viagem de barco no seu interior.

Pelas paisagens, pela beleza, pela gastronomia, pelos preços competitivos, pelas grandes transformações que sofreu nos últimos anos, a Croácia merece que muitos mais viajantes a descubram!

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