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Pai, mãe e filho no tecto do mundo

Por Sara Dias Fonseca

Apaixonada pelas viagens, Maria Margarida Pereira-Müller percorreu com o marido e o filho um destino há muito desejado: o Tibete. Agora, a família expõe as imagens do que viu e sentiu numa viagem ao tecto do mundo.

Viajantes “de coração e por paixão”, os Müller — a mãe Maria Margarida, o pai Hans-Jürgen e o filho Sebastian — gostam de percorrer o mundo juntos. Jornalista há mais de três décadas e com experiência na publicação de relatos de viagens ou até de livros de gastronomia, Margarida e família (fotógrafos assumidamente amadores mas que já realizaram diversas exposições) assinam um conjunto de fotos que nos leva ao Tibete, resultado de uma visita realizada há quase dois anos. A mostra, constituída por 63 imagens, pode ser vista até final do mês no espaço do A Nova Casa (Associação Antigas Alunas do Instituto de Odivelas), em Lisboa. 

Saborear as regiões que visitam “com todos os sentidos” é o lema familiar. E o Tibete, “há muito na lista”, não foi excepção, contou Margarida à Fugas. No Verão de 2010, mãe, pai e filho escolheram o tecto do mundo como destino, integrado numa viagem por territórios administrados pela China. Passaram pela Expo 2010, que se realizou em Shanghai, e visitaram as províncias das minorias étnicas. Depois de Shanghai e Hangzhou, seguiu-se a província de Yunan — também etnicamente ligada ao Tibete — e viajaram de para Shigatse (passando pelo rio Tsangpo, Nankartse, Gyangtse, Lago Yamdrok, Kambala/ Lavapa e Kumbum). No caminho de volta, optaram pelo mesmo percurso “porque a outra estrada estava ‘estragada’. Assim nos disseram – se era verdade ou não, não o sabemos”, relata.

Para Margarida, a viagem ao Tibete foi “quase como ir a outra época, a outro mundo”. Tudo o que fazem, descreve a jornalista, é profundamente influenciado pela religião. “Ficamos com pele de galinha ao vê-los cumprir as prostrações”, diz. Quase omnipresente e incomodativa, lembra, é a presença dos militares chineses. Em Lhasa, "há pontos de vigilância militar em todas as esquinas, há patrulhas militares constantes no centro da cidade e soldados nos telhados na zona do templo de Jokhang”. É, acrescenta, como que “uma constante sensação de estar numa cidade sitiada”. 

Pelas fotografias do trio familiar, perpassa um quotidiano "aparentemente” alheio a todos os movimentos militares, presentes desde os anos 50 quando a República Popular da China tomou o controlo do território. Os tibetanos continuam a rezar os seus mantras, “andam na rua rodando a sua Roda de Oração, vestindo os seus trajes de sempre: as mulheres com saias até aos pés e blusa de mangas compridas, longas tranças enfeitadas com fitas coloridas presas na cintura; os homens põem os casacões à cintura – ou só vestem uma das mangas deixando a outra solta –, usam os longos cabelos penteados numa longa trança, enfeitada com uma fita encarnada ou preta, enrolada à volta da cabeça e com as franjas soltas no final”.

Na exposição, incluem-se também “hadas”, os lenços brancos que os tibetanos oferecem em sinal de boas-vindas, como despedida ou em momentos festivos. Fica a saudade, impossível de transpor nas fotos, do “cheiro intenso de manteiga de iaque, que os tibetanos andam sempre a pôr nas taças de velas dos templos ou no seu chá”. 

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