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Adriano Miranda

Produção de vinho deve crescer 5% na campanha em curso

Por José Manuel Rocha

Envolvente da capital com fortes crescimentos e o Douro e o Alentejo dentro da média nacional. Nas Beiras, campanha desilude.
A produção de vinho em Portugal, na colheita que está prestes a ocorrer, deve aumentar entre 4% e 5%, segundo as previsões do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

A estimativa do departamento governamental aponta para uma produção de 5,857 milhões de hectolitros, cerca de 250 mil hectolitros mais do que na campanha anterior. Este valor fica, todavia, aquém da média das colheitas dos últimos cinco anos, que o IVV situa nos 6,077 milhões de hectolitros.

Apesar de o panorama global da produção vitivinícola ser positivo, as radiografias variam consoante as regiões em causa. Segundo o Instituto da Vinha e do Vinho, Minho e a região autónoma dos Açores são as zonas demarcadas onde o cenário é mais desanimador. Condições climáticas prejudiciais e doenças das plantas poderão fazer cair, de forma substancial, a produção nestas zonas.

No Minho, que deverá apresentar um recuo de 15% face à produção da campanha transacta, a quebra é resultado das "chuvas e das temperaturas baixas que prejudicaram a fecundação", originando desavinho e bagoinha. 

A região nortenha deverá ficar-se por uma produção de 696 mil hectolitros, face aos cerca de 820 da campanha anterior e que é também a média das últimas cinco. Nos Açores, a colheita deverá recuar 30%, para apenas 8 mil hectolitros.

A mais importante das regiões vitivinícolas portuguesas, o Douro, deve crescer este ano em produção em linha com a média nacional - cerca de 5%. O IVV aponta para um resultado final de 1,386 milhões de hectolitros. Este valor significa um recuo substancial face à previsão de Junho, em consequência da seca, do granizo e do desavinho que ocorreram em Julho e Agosto.

O Alentejo será a segunda região do ranking, com uma produção de 940 mil hectolitros, a crescer um pouco abaixo (3%) da média nacional. A quantidade de uvas nos bagos é menor, mas a qualidade deverá ser boa, segundo o instituto.

O panorama é claramente melhor nas regiões que envolvem a capital portuguesa. Tejo, Lisboa e Península de Setúbal irão apresentar crescimentos que, não havendo novidades de última hora, poderão variar entre os 20% e os 30%.

A península de Setúbal, que tem alguns dos vinhos mais vendidos em Portugal, irá crescer 30%, para os 400 mil hectolitros. Lisboa deverá fechar perto do milhão de hectolitros e Tejo a rondar o meio milhão. O IVV assinala que nestas zonas, e ao contrário da campanha anterior, não há registo de doenças ou pragas significativas.

Nas Beiras, a colheita deverá ficar 4% abaixo do ano passado, num valor próximo dos 800 mil hectolitros. As situações mais complicadas verificam-se no Dão e na Bairrada, com recuos da ordem dos 10%, que o IVV atribui à pouca precipitação ocorrida durante a campanha.
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