A refinaria da Galp Energia é a primeira grande empresa de Sines a aderir a um projecto de turismo industrial a ser desenvolvido pela incubadora de empresas local, que vai permitir conhecer as instalações em visitas organizadas.
Ainda sem data marcada para o arranque da iniciativa, as entidades responsáveis estão actualmente a trabalhar para tornar as visitas à refinaria de Sines um produto turístico, que terá como parceiros operadores já existentes ou a criar, adiantou à agência Lusa a directora executiva do Sines Tecnopolo, Mónica Morais de Brito.
Um dos objectivos do projecto é promover “oportunidades para gerar novos negócios”, que possam ser aproveitadas por empreendedores e criar postos de trabalho, referiu a responsável pela instituição, cuja actuação passa pela incubação de empresas, a consultadoria e a prestação de formação, entre outras actividades.
A ideia é envolver todo o tecido industrial e portuário da cidade alentejana e da sua envolvente, explicou Mónica Morais de Brito, explicando que, no entanto, a resposta negativa a uma candidatura a fundos comunitários levou à implementação do projecto de forma “faseada”.
Caso, em futuras oportunidades, o financiamento venha a ser concedido, “facilitará” a construção de um centro de acolhimento a turistas e a criação de uma “imagem comum às várias entidades” envolvidas, permitindo o desenvolvimento da iniciativa de “forma mais concertada” e “com mais visibilidade”.
Para a refinaria de Sines, a participação no projecto será “importante” para “desmistificar o impacto que uma instalação destas tem nas comunidades locais”, sendo intenção da empresa evidenciar “as preocupações” ao nível ambiental e de segurança.
Actualmente, a refinaria já recebe visitas de grupos provenientes de escolas, universidades e empresas, entre outras instituições, mas não de turistas, indicou à Lusa, por escrito, fonte oficial da Galp Energia.
Na visita, que deverá incluir a unidade de hidrocraqueamento recentemente inaugurada e a central de cogeração a gás natural, os visitantes poderão ficar a conhecer o processo de fabrico, os produtos produzidos e a história da infra-estrutura.
O desenvolvimento do turismo industrial em Sines insere-se no âmbito do projecto Aportar, promovido pelo município, que inclui também a disponibilização de uma plataforma multimédia com o património relacionado com o Gabinete da Área de Sines, criado em 1971 para a implantação do complexo industrial e portuário na zona.
Com esta iniciativa, indicou Mónica Morais de Brito, os responsáveis pretendem resolver “alguns problemas” que “comprometem” o desenvolvimento turístico do concelho, entre os quais a “sazonalidade, que é muito acentuada”.
Esta característica desincentiva, de acordo com a dirigente, o investimento em equipamentos e em infra-estruturas, mas também na qualificação dos recursos humanos, o que “compromete a qualidade do serviço”.
O Sines Tecnopolo está ainda a preparar, em parceria com o Instituto Politécnico de Beja, “a primeira” pós-graduação em Turismo Industrial em Portugal, a arrancar em Outubro, avançou a responsável.