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  • "Viagem" virtual ao topo da Torre 1 para criar expectativa sobre o novo miradouro, que estará pronto na Primavera Bruno Lisita
  • A ousadia do projecto de Tomás Taveira foi criticada por uns mas admirada por outros
    A ousadia do projecto de Tomás Taveira foi criticada por uns mas admirada por outros Bruno Lisita
  • Mostra conta a história do centro comercial, relembrando os momentos mais marcantes dos últimos 30 anos
    Mostra conta a história do centro comercial, relembrando os momentos mais marcantes dos últimos 30 anos Bruno Lisita
  • Exposição vai estar patente até 30 de Outubro, com entrada gratuita
    Exposição vai estar patente até 30 de Outubro, com entrada gratuita Bruno Lisita
  • Inauguração do Amoreiras foi a 27 de Setembro de 1985 e contou com a presença do então Presidente da República, General Ramalho Eanes
    Inauguração do Amoreiras foi a 27 de Setembro de 1985 e contou com a presença do então Presidente da República, General Ramalho Eanes Bruno Lisita
  • Exposição inclui fotografias e testemunhos em vídeo de figuras públicas, lojistas e clientes
    Exposição inclui fotografias e testemunhos em vídeo de figuras públicas, lojistas e clientes Bruno Lisita
  • Espaços coloridos e outros com luz natural são imagens de marca deste shopping
    Espaços coloridos e outros com luz natural são imagens de marca deste shopping Bruno Lisita

Centro Comercial das Amoreiras visto do alto dos seus 30 anos

Por Marisa Soares

Um novo miradouro com vista panorâmica sobre a cidade e o Tejo vai nascer na Primavera, no topo de uma das torres do Centro Comercial das Amoreiras. A exposição comemorativa inaugurada esta sexta-feira inclui uma "antestreia virtual" da futura atracção turística.

O Amoreiras, primeiro shopping center português digno desse nome, abriu as portas há 30 anos, mas a idade não lhe pesa. A propósito do aniversário, o centro comercial vai ser palco, a partir desta sexta-feira e até 30 de Outubro, de uma exposição que conta a sua história e a das caras que por ali se cruzam diariamente, abrindo também uma janela para as novidades que deverão chegar na próxima Primavera.

A exposição "Do alto dos meus 30 anos", instalada no segundo piso junto à escadaria central, recorda os momentos mais marcantes deste empreendimento, que foi uma verdadeira "pedrada no charco" quando começou, no princípio da década de 1980, a rasgar a linha do horizonte de Lisboa. Os testemunhos de figuras públicas, lojistas e visitantes que acompanharam a evolução do centro, inaugurado com pompa e circunstância a 27 de Setembro de 1985, serão transmitidos em vídeo.

Para os mais curiosos, a administração da casa propõe uma "viagem sensorial" ao topo de uma das duas grandes torres espelhadas, de topos e bases coloridas. "Reproduzimos, através de um simulador, a sensação de subir ao topo das torres e ver o que se avista lá de cima", descreve Nelson Leite, director do Amoreiras Shopping Center. O objectivo é deixar os visitantes expectantes com a novidade prometida para a Primavera: o Amoreiras 360 Sightseeing, um miradouro situado na cobertura da Torre 1 (que tem 18 andares), com vista panorâmica sobre a cidade e o Rio Tejo. O bilhete para entrar deverá custar 5 euros.

"O Amoreiras  foi pensado como um complexo, que inclui habitação, escritórios e comércio. Era essa a grande visão, quando foi construído [as obras arrancaram em 1981]. Faltava-nos agora, para dinamizar o centro, a aposta noutro segmento, o do turismo", explica o director, apresentando o miradouro como um "atractivo diferenciador". É nele que Nelson Leite confia para angariar novos visitantes e continuar a crescer.

Segundo o gestor, 7% das cerca de dez milhões de pessoas que visitam o centro anualmente são já turistas estrangeiros. "Quase 50% são chineses", acrescenta, confirmando o que salta à vista num simples passeio pelos corredores. O movimento de turistas asiáticos é constante. Nas montras das lojas, abundam informações sobre os produtos escritas em mandarim. E não é só: segundo a administração, o Amoreiras foi o primeiro shopping português a ter um site próprio totalmente escrito naquele idioma.

A "cidade dentro da cidade", anunciada num jingle de rádio nos primeiros tempos de vida do Amoreiras, sobreviveu à passagem do tempo, à polémica em torno da ousadia do projecto de Tomás Taveira, pela volumetria e pela forma - o arquitecto Nuno Portas usou a metáfora que ficaria para a posteridade, comparando as torres a "um par de bandarilhas cravadas no dorso da cidade" -, e à concorrência de outros grandes centros comerciais.

Não só sobreviveu, mas ainda se reinventou. Como? Por exemplo, requalificando e redesenhando a oferta de restauração, que passa a estar distribuída por vários espaços em vez de ficar concentrada num único local. Ou alargando a área das lojas para responder às novas necessidades dos comerciantes. Ou ainda adaptando os horários de abertura de alguns estabelecimentos à dinâmica dos clientes habituais, até porque aquele é uma espécie de “shopping de bairro”, lembra Nelson Leite. “O princípio que sempre seguimos foi o de não ser apenas uma área comercial, mas sim um ponto de encontro das pessoas que nos visitam”, sublinha.

Até agora, e apesar de alguns anos menos bons – como os que se seguiram ao da abertura do Centro Comercial Colombo, em 1997, e mais recentemente o ano de 2012, em que a crise económica se reflectiu nas vendas -, a estratégia parece estar a compensar. “Ao nível das vendas estamos a crescer 11%”, nota o director. A taxa de ocupação das lojas (220 no total) é de 100%, com destaque para espaços dirigidos ao público de classe mais alta, para o qual a Mundicenter (proprietária do Amoreiras) apontou baterias para enfrentar a concorrência. Actualmente há lojas de luxo que, em Portugal, só se encontram ali, ou então em zonas como a Avenida da Liberdade ou o Bairro Alto.

Construído numa antiga área de estacionamento dos autocarros da Carris, perto do Marquês de Pombal, o Amoreiras beneficia da localização numa zona da cidade onde os residentes e trabalhadores têm, de um modo geral, maior poder de compra. "Conhecemos bem os nossos clientes: são mais exigentes, o que nos obriga a ter uma oferta mais qualificada", afirma Nelson Leite.

Algumas datas marcantes:

1978: Aprovado um estudo que define a estrutura do complexo das Amoreiras. Tomás Taveira fica com o projecto dois anos depois e a construção arranca em 1981.

1985: Inauguração, a 27 de Setembro. Abriu ao público no dia seguinte.

1993: Recebe o Prémio Valmor de Arquitectura, com elogios ao "uso inovador da cor" e ao facto de "conferir uma nova singularidade à cidade".

1997: Inauguração do Colombo, primeiro grande concorrente do Amoreiras. Um ano depois, a Mundicenter admitia uma quebra no número de visitantes.

1999: Católicos manifestam-se contra a publicidade de Natal do Amoreiras – uma alface no colo de Maria e de José. A administração acaba depois por substituir a alface pelo menino Jesus.

2003 a 2007: Obras do túnel do Marquês provocam o caos no trânsito da zona e diminuem o fluxo de clientes no Amoreiras.

 

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