Especial: 10 Viagens em Família
Não deve estranhar se lhe dissermos que um grupo de miúdos pode descobrir como funciona o coração tocando num tambor. Estamos no Exploratório Infante D. Henrique Centro Ciência Viva de Coimbra. Neste espaço colorido que apela aos cinco sentidos, tudo é possível: saber como seria saltar na lua, observar torneiras mágicas que jorram água penduradas no ar, tirar uma espécie de fotocópia à nossa sombra. E isto é só uma amostra. Cá entre nós - que ninguém nos ouve -, é um espaço pensado para os mais pequenos, mas não deixa nenhum adulto indiferente.
"Estes espaços são sobretudo voltados para uma sensibilização para a ciência através de experiências em que se põe a mão na massa. A regra de ouro é 'proibido não mexer'. A ideia é que se envolvam com as experiências. Os miúdos nem precisam de ser convidados [a mexer] porque o fazem espontaneamente", conta o presidente da direcção do Exploratório, Victor Gil.
O Exploratório Centro Ciência Viva de Coimbra não é, por isso, para ser visitado, mas antes explorado, como se fosse um continente novo e os grupos - famílias e escolas - fossem em expedição saber tudo sobre ele. "Nós usamos a palavra visita, mas a ideia é mais de exploração. Visita pressupõe uma coisa mais ou menos passiva, mãos nos bolsos, olhar para coisas. Aqui entende-se que devem ser envolvidos todos os sentidos", defende Victor Gil. Para ter acesso a estas revelações é preciso usar as mãos, os olhos, a cabeça, "mas também o coração": "A ideia é que haja espanto, deslumbramento. A certa altura, as experiências dão algo que as pessoas não esperavam. A pessoa estava convencida de que ia acontecer assim e acontece exactamente o oposto. Isto cria um conflito que é ao mesmo tempo intelectual e afectivo, e que é muito importante nesta sensibilização científica", diz Victor Gil, enquanto atravessa o corredor de vidro que liga a zona da cafetaria, da loja e do auditório ao bloco das exposições. Todo o Exploratório é luz natural, através do uso do vidro, e cor nos jogos e no mobiliário escolhido.
Saúde em foco
Ali, tudo é ciência e tudo é brincadeira. Até na loja e na cafetaria há segredos para descobrir. Na loja, por exemplo, há vários brinquedos científicos, autênticas engenhocas como elefantes de madeira que, empurrados, descem sozinhos traves de madeira devidamente acompanhadas por um papel que desvenda o enigma e nos explica a razão científica subjacente ao funcionamento do objecto (este folheto é uma óptima forma de brilhar quando as crianças perguntam "Porquê?").
Também na cafetaria se serve ciência: nas costas das cadeiras há quadras sobre diferentes temas. A cadeira amarela, por exemplo, diz-nos que "É um deles a celulose Que, não sendo um alimento,/ Garante ao seu intestino/ Um bom funcionamento". Já a informação fornecida pela cadeira roxa diz-nos que "A laranja é muito rica/ O limão é muito prosa,/ Mas têm tanta vitamina/ Quanto uma boa manga rosa".
Apesar de a saúde ser o tema forte do Exploratório - o centro já existe há mais de uma década em Coimbra, mas só em 2010 se mudou para um edifício construído de raiz no Parque Verde do Mondego -, também há espaço para as estrelas, num planetário para já improvisado numa tenda colocada no exterior.
O edifício que actualmente se ergue na margem esquerda do rio, no Parque Verde do Mondego, em Coimbra, foi inaugurado em Maio de 2010 (teve uma fase experimental cerca de mês e meio antes). Agora, o espaço é bastante maior do que o ocupado pelo Exploratório antigamente, no Jardim da Sereia, num edifício da Casa Municipal da Cultura. E, em 2012, quando se espera que o novo edifício abra portas, será ainda maior.
Nessa altura, a exposição "Em boa forma com a ciência" crescerá ainda mais: cada uma das ilhas que a compõem verá o território aumentado. É Victor Gil quem explica que a mostra é uma "espécie de arquipélago com sete ilhas" com diferentes actividades, umas relacionadas com a circulação do sangue, outras com o coração, com a respiração...
Bolha de sabão
Nós começamos por esta: fizemos de conta que tínhamos oito anos e metemo-nos numa espécie de polibã, puxámos uma haste e ficámos, todos contentes, cercados por uma bolha de sabão. Claro que depois tivemos que nos baixar, quase ficar de cócoras (ok, percebemos que não é para a nossa idade), para soprar sobre a bolha e ver o efeito do sabão distorcido. É um exercício que se insere na temática da respiração, mas sinceramente estávamos tão entretidos a soprar que nem fixámos bem a explicação sobre as membranas do pulmão. Temos que lá voltar, está visto.
Também não medimos a pressão arterial, na zona do coração e da circulação. Mas quisemos saber se tínhamos risco alto ou pequeno de ter um acidente cardiovascular e ficámos aliviados quando os berlindes ocuparam maioritariamente a zona verde. Se caíssem na zona vermelha, era um alerta para fazermos mais exercício físico, redobrarmos os cuidados com a alimentação, evitarmos o stress, entre outros parâmetros.
Nesta ala, podemos andar durante um bom bocado a brincar aos médicos e aos cientistas. Podemos carregar nuns botões (isso fizemos!) e ouvir os batimentos cardíacos de animais muito diferentes, como o coelho e o elefante, este último mais lento. Na área do coração, também podemos visualizar um electrocardiograma. "A pessoa deita-se, coloca uns eléctrodos toscos, não é uma coisa muito rigorosa, mas dá para perceber qual é o princípio", explica Victor Gil.
No Exploratório há sempre cor, movimento e risos. Os monitores ajudam, mas a ideia é que cada um descubra sozinho, experimentando. "Por alguma razão, os monitores têm a palavra Exploratório escrita ao contrário no colete, como as ambulâncias. Quer dizer que estão disponíveis em regime ambulatório, quando solicitados, ou, quando dão conta que uma pessoa está inibida, dão uma ajuda...", diz o director, já na zona da nutrição, onde há uma bicicleta ligada a umas luzes que se acendem quando as crianças começam a pedalar. "Há conversões de energia naquela bicicleta, esforço físico que vem de reacções que temos no organismo, que acabam por se converter em energia mecânica no movimento do pedal e da roda e, depois, em energia eléctrica. Daí a possibilidade de acender algumas das lâmpadas. Os mais enérgicos conseguem pôr a ventoinha a funcionar", vai explicando Victor Gil.
No autocarro
Estamos já a caminho do segundo piso - e nós ainda a olhar pelo canto para a bicicleta que nos desafia -, onde Victor Gil nos vai mostrar a exposição Sentir.com, uma mostra sobre "a comunicação e os sentidos", que já foi itinerante e é agora residente no Exploratório. "Tem referências ao mundo animal e ao tecnológico, à comunicação no mundo moderno, e culmina com a criação de um extraterrestre", adianta o director. Aqui, cada um vai decidindo, ao longo da exposição, que características terá um ET. "Se tem um olho, se tem dois olhos, se vê como nós, se vê como a mosca, se ouve como o peixe", enumera Victor Gil. No fim, um computador mostra-nos como será o nosso ET e manda imprimir o desenho.
Ainda nos falta conhecer o terraço do Exploratório, que tem "uma vista de 360º graus" sobre Coimbra e um autocarro, estacionado no exterior, onde se pode visitar uma pequena exposição dedicada à luz e cor. Depois de confirmar a panorâmica no terraço, fomos então até ao espaço exterior do Exploratório, onde há vários outros jogos e brincadeiras e onde está o autocarro, oferecido pelos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra.
Entramos no autocarro. Está escuro. Cumprimentamos o condutor que, apesar de invisível, nos estende a mão (não vamos decifrar o mistério). Continuamos na penumbra. Num dos cantos, apercebemo-nos que a sombra da palavra Exploratório surge de várias cores, dependendo das lâmpadas que estão a ser utilizadas. Mais à frente, vemos o director encostar-se a uma parede e deixar lá a sombra. Esta exposição chama-se Viajar com a ciência e, mesmo com um motorista fantasma, foi uma grande viagem. Já a de Mafalda, de 10 anos, foi uma autêntica odisseia no espaço: "Do que gostei mais foi da tenda [Planetário]. Estivemos todos sentados, era tudo escuro e ficamos assim a ver estrelas...".
Como ir
Deve apanhar a auto-estrada até Coimbra A1, sair em Coimbra Sul, seguir até ao Portugal dos Pequenitos, cortar à direita para a EN 1 e verá o Exploratório quando chegar à Rotunda das Lages, em Coimbra. No site do Exploratório há um mapa, no item "Informações úteis".
Horário
O Exploratório está aberto de terça a domingo, das 10h00 às 17h30, sem interrupção para almoço. As visitas de grupos escolares podem ter início às 10h00, 11h30, 14h30 e 16h00, e têm duração limitada a 1h30. Para grupos escolares, é conveniente marcação prévia, para famílias não é necessário.
Preços
Até 2 anos (acompanhado) - grátis
Jovem 3 -10 anos - 2,25 euros
Estudante -3 euros
Professor -3 euros
Sénior -3 euros
Normal -3,75 euros
Grupo escolar: Aluno -2,25 euros; Professor - grátis