Com mapas e sem horários, com tenda e sem alojamento marcado. Uma moto e um desejo de aventura. Francisco Sande e Castro, piloto, empresário, ex-proprietário de uma editora discográfica e jornalista ocasional, está na estrada para as primeiras centenas de quilómetros da sua volta ao mundo. Aos 57 anos, Sande e Castro vai andar sozinho durante quase dois anos e vai atravessar mais de 50 países num percurso que irá rondar os 70 mil quilómetros. A sua única companhia será uma Honda VFR 1200X Crosstourer, cedida pelos representantes em Portugal da marca japonesa.
A viagem exigiu um investimento a rondar os 60 mil euros e levou seis meses a planear, mas bastante mais tempo a maturar, à espera do momento perfeito, que nunca chegou. "Já há uns anos que pensava nisso. Como todos os sonhos, uma pessoa tem tendência a pensar: ainda não é agora. Agora tenho a vida mais ou menos arrumada, e decidi que se não fosse agora, já não era.
Claro que há coisas que me atrapalham um bocado a vida, mas se estivesse à espera que ficasse tudo certinho, nunca ia", confessa Sande e Castro, que já teve aventuras parecidas com esta, nomeadamente a travessia de África, em automóvel no rali Paris-Cidade do Cabo, mas nunca de moto.
Os seus primeiros destinos estão mesmo aqui ao lado. Partiu de Sintra, em direcção à Andaluzia, e em uma semana conta estar em Barcelona. Primeiro vai apostar no sul da Europa, um continente que conhece bem, depois começa a verdadeira aventura. Turquia, seguida de Irão, antigas repúblicas russas e Índia. Na Ásia, um continente que pouco conhece, não irá passar pela China. "Eles exigiam que levasse um guia local para me acompanhar de carro e eu achei que isso cortava o espírito da viagem", diz. A Rússia vai ser outro "gigante" por onde não vai passar. E o Paquistão também pode levantar alguns problemas, mas Sande e Castro diz que tem um contacto que o está a ajudar. "Há países que são complicados de entrar e provavelmente vou ter de ficar dois e três dias nas fronteiras a tratar de vistos", acrescenta.
África vai ser fora da rota do rali. Entrar em Angola ir até à África do Sul, passar pelo Botsuana, ir a Moçambique, subir pelo Quénia, Tanzânia e Sudão, e passar pela Líbia e Tunísia, que ser a sua porta de regresso à Europa. Na América, vai entrar pela costa do Pacífico, em São Francisco, ir a Los Angeles, fazer a travessia até à costa atlântica, descer para Cuba, atravessar a América Central e descer a América do Sul, visitando Brasil, Argentina e outros (mas não todos). "Talvez a Ásia seja o que tenha mais curiosidade de visitar. Mas a Austrália também. Vou ficar lá bastante tempo", observa.
As motos até foram a primeira paixão de Sande e Castro, mas dois acidentes graves em competição - "em que parti muitos ossos", relembra - empurraram-no para os carros. "Mas gosto muito de andar de moto, faz parte do meu dia-a-dia", diz o piloto, para quem estava fora de questão fazer esta aventura num carro: "É mais divertido andar na estrada de moto do que de carro. Com os limites de velocidade, já não me dá muito gozo andar de carro, de moto, mesmo devagar, dá-me prazer."
O plano é evitar ao máximo as auto-estradas, privilegiar as estradas secundárias e andar em alcatrão sempre que possível porque a moto está muito pesada para andar na terra. E viajar de dia. Nunca de noite. "Principalmente fora da Europa é sempre muito perigoso andar à noite.
E não serão dois anos seguidos fora de casa. Será uma viagem com pausas, para passar alguns dias em casa entre longas travessias, em que está preparado para não dormir numa cama, mas numa tenda e de saco-cama. A aumentar o peso tem ainda uma cadeira desdobrável e um livro, para ler nas paragens frequentes que pretende fazer. Será a companhia de Francisco Sande e Castro, que não pensou fazer esta viagem com mais ninguém.
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A viagem pode ser acompanhada em http://www.facebook.com/HondaPortugal