Fugas - Viagens

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Dois aventureiros querem ser os primeiros a cruzar o Brasil sem qualquer motor

Os dois aventureiros não responderam ao contacto da Fugas (dispõem de material para comunicar via satélite, mesmo na selva), mas numa entrevista ao site Explorersweb falam dos desafios, da preparação, da logística da expedição e do seu fascínio pelo Brasil. Uma das ideias a reter é que serão "muito rigorosos": se, por algum motivo, forem forçados a recorrer a algum tipo de ajuda de emergência, marcarão o ponto GPS onde se encontravam e retomarão a viagem a partir daí, logo que possível.

A ideia é também documentar a expedição, em foto e vídeo, de forma a criar "um retrato do Brasil" - e isto implicou a criação de uma rede de amigos no país, que possa ir recolhendo as imagens recolhidas e guardando algum material que não seja necessário nas jornadas seguintes. Será sempre bem-vinda a ajuda, não só por razões práticas, mas também emocionais. Uma das coisas que Gareth e Aaron mais receiam é o desgaste provocado pelo convívio em circuito fechado durante longos períodos de tempo: "É uma parte significativa do desafio que enfrentamos - como evitar darmos em doidos um com o outro e estragar tudo", explicou Gareth Jones ao Explorersweb.

Mas como é que um britânico e um norte-americano que se conheceram em 2003, em Manchester (Gareth estudava lá e Aaron, vindo da Califórnia, pediu para ficar no apartamento durante uns dias e acabou por "acampar" lá durante dez meses), decidem aventurar-se pelo Brasil? A pergunta faz sentido, mas temos de a recuar no tempo, porque em 2010 os dois já tinham feito uma longa incursão pela Amazónia, altura em que receberam dos pescadores locais preciosas lições de sobrevivência na zona. Foi uma espécie de prólogo para a aventura de 2012.

Apaixonaram-se de imediato por esses locais de "tranquilidade sem par" e Gareth - que vive há sete anos no Brasil, considera o Rio de Janeiro a sua "segunda casa" e fala português sem problemas - ganhou um aliado na sua paixão pelo gigantesco país sul-americano. E é por isso que, na entrevista ao Explorersweb, quando fala dos perigos da expedição, faz questão de salientar que os dois "nunca tiveram problemas graves com criminalidade" nas visitas anteriores ao Brasil e que "a simpatia das pessoas" foi uma das razões que os levaram a empreender esta viagem. Ainda no campo das ilusões fica o continente africano. Quando lhes perguntam qual o seu destino de sonho, Aaron fala de Madagáscar e Gareth menciona Angola. Ele gosta mesmo de falar português, a língua que começou a aprender, na praia e em bares, para poder compreender os versos de Vinicius de Moraes nas velhas canções que escutava.

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