"Quer o melhor trabalho do mundo?", perguntava, a meio do Verão, a Nomad. A questão era aberta a todos os que quisessem dedicar-se profissionalmente às viagens, integrando a equipa de líderes de grupos desta agência, sediada no Porto e a celebrar cinco anos de vida. Especializada em destinos únicos, jornadas raras, aventuras e grandes expedições, tem entre os seus destinos Nepal e Tibete, Vietname e Camboja, Índia ou Mongólia.
Em três meses, conta Tiago Costa, um dos fundadores da empresa, à Fugas, foram recebidas mais de três mil candidaturas, tendo a fase de recepção de propostas terminado na quarta-feira, dia 31. Agora, serão seleccionadas "umas 15 pessoas" para entrevistas. Se tudo correr bem, o "escolhido" passará a integrar a equipa. Para tal, terá que ser "alguém apaixonado pelas viagens, que goste de transmitir conhecimentos e que queira transmitir essa paixão", além de detentor de "experiência e desenvoltura no terreno" ou de "ser capaz de levar um plano de viagem do princípio ao fim e tratar da logística nos locais", explica Costa.
Entre os pretendentes, há quem se tenha esmerado: "Temos até um candidato que fez um vídeo com pessoas do mundo inteiro a promoverem os seus talentos". Ou que enviou duas pessoas à agência com panfletos e propaganda à sua candidatura. Ou os que se esmeraram na apresentação criativa e viajada da sua proposta.
Mas, refere Costa, há também "muita gente que se candidatou sem ter a consciência de que é mesmo um trabalho - algo como ‘viajo nas férias e poderia trabalhar com vocês', diz. "Identificámos três tipos base de candidatos: pessoas que têm outra profissão e sonham mudar de vida", as que "se dedicam profissionalmente" ao sector e as que "já se atiraram por gosto às viagens" e "viram nisto uma possibilidade de futuro".
Costa diz que estão preparados para o "processo exaustivo" que será analisar as candidaturas uma a uma, responder, escolher o "finalista". Emprego só há mesmo um mas, ainda assim, o responsável adianta que a decisão poderá ser reponderada, no caso de haver mais alguém com "motivações e currículo extraordinários". O inverso também pode suceder: se chegarem à conclusão de que ninguém cumpre os requisitos, fica encerrada a campanha e a tão desejada vaga ficará por preencher.
Reconhecendo que, além de um anúncio de emprego, a oferta também resultou em termos mediáticos, Costa refere que tal foi apenas "um efeito colateral". "O que motivou a nossa procura foi o facto de até agora termos recrutado pessoas que já conhecíamos ou que se destacavam por alguma razão. Mas era quase um círculo fechado", resume. "Perguntámo-nos quantas pessoas haveria que se dedicam a viajar e que ninguém conhece. Foi por isso que abrimos o jogo. Para descobrir quem anda aí a entregar-se de corpo e alma à viagem".
Quanto ao salário em jogo, o responsável não adianta números, sublinhando que "varia muito", consoante o tamanho dos grupos, a duração, complexidade e dificuldade da jornada. "Mas posso dizer que gostamos que as pessoas se sintam confortáveis a trabalhar connosco", refere.
E tratar-se-á mesmo do "melhor trabalho do mundo"? "É um trabalho inacreditável, que nos dá oportunidades excepcionais", opina o responsável da Nomad, sublinhando que o mesmo acarreta também "muitas responsabilidades e dificuldades". "Isto é uma filosofia de vida. Ninguém se dedica às viagens para comprar Mercedes. Mas para quem gosta do que faz, é o melhor do mundo".
Nómadas de corpo e alma
A Nomad nasceu no Porto em 2007 e é conhecida pelos seus programas por destinos "pouco comuns" e pelas suas actividades "improváveis", incluindo fazer a Travessia dos Picos de Europa, dar um passeio a pé pelo Santuário dos Annapurnas, no Nepal, conhecer Istambul através da sua comida ou ir do Kremlin à Grande Muralha na mais longa linha ferroviária do mundo. E a empresa rege-se por valores que não quer que sejam quebrados: promove viagens activas que enriqueçam a vida dos viajantes através da descoberta e da interacção, apoia o turismo sustentável e as populações locais, promove o activismo social e ambiental e, garantem, apresenta produtos com preço justo. Entre as novidades para 2013 estão Etiópia e Birmânia.
Os líderes Nomad
No elenco Nomad, entram diversos especialistas, incluindo nomes mais conhecidos. Como Gonçalo Cadilhe ou Tiago Salazar, escritores e jornalistas de viagens; tal como Filipe Morato Gomes (editor do site Alma de Viajante) e Ana Mineiro. Por coincidência, colaboradores da Fugas (actualmente, a viagem em família de Morato Gomes, Diário da Pikitim, é publicada na revista). Já Jorge Vassallo, que se tornou célebre com Até onde vais com 1000€, trocou a publicidade pela vida como viajante profissional. Tal como o seu camarada na mesma viagem, Carlos Carneiro (que recentemente acompanhámos por África, numa grande viagem com o pai). Por aqui, conta-se ainda com outro grande viajante, Inácio Rozeira (há pouco andou a dar a volta à Índia em moto). A agência recorre também a outros profissionais: do cozinheiro Francisco Martins (que andou a Comer o Mundo) ao especialista em educação física Filipe Palma, do fotógrafo António Luís Campos ao guia alpino Pedro Guedes ou ao alpinista Pedro Pacheco. E, claro, o sr. Nomad, Tiago Costa, que não só organiza viagens como é guia de trekking e publicou trabalhos fotográficos em relevantes publicações lusas.