Desse casamento, consignado pelos enólogos Paulo Coutinho (Portal) e Sílvia Garcia (Liberalia), nasceu o tinto Duradero, feito com uvas de Tinta Roriz e Tempranillo, que, geneticamente, são a mesma variedade. No passado dia 13, as duas famílias juntaram-se no Douro para celebrarem o quinto aniversário da parceria e do vinho. E do encontro, depois da prova do colheita branco da Quinta do Portal de 2006 (com aromas fumados e melados e uma elegância e frescura surpreendentes), surgiu a intenção de as duas famílias fazerem também um branco. Neste caso, a ideia é juntar as castas Viosinho, do Douro, com o Verdelho de Zamora (da mesma família do Verdelho da Rueda).
Em relação ao Duradero, cada parte faz o seu vinho e o lote final resulta da junção, em partes iguais, de ambos. É vendido como vinho de mesa em Portugal e Espanha e custa 9,90 euros. A produção está limitada a 7 mil garrafas. O primeiro vinho, da colheita de 2005, foi lançado em 2007, e, desde então, já saíram para o mercado as colheitas de 2006, 2007, 2008 e 2009. A sua aceitação tem sido excelente, não só pela singularidade do vinho mas também pela magnífica relação qualidade/preço que oferece. É um vinho muito envolvente e sedutor, com belos taninos, fruta madura, notas tostadas e uma acidez que dá vivacidade e frescura ao conjunto.
Tem ainda o mérito de fazer o elogio a uma casta cada vez mais mal amada no Douro, a Tinta Roriz. São raros os enólogos que ainda se deixam encantar por esta variedade. Mas é uma moda que, mais cedo ou mais tarde, irá passar. A casta não é fácil, produz muito, tem uma maturação pouco homogénea e origina vinhos com taninos que podem ser bastante secos. Em contrapartida, pode fazer também vinhos muito perfumados, frescos e duradouros, caso seja bem trabalhada na vinha. Não é por acaso que todos os grandes vinhos do Douro, como o Barca Velha, integram na sua composição Tinta Roriz.