Fugas - Vinhos

Nelson Garrido

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Quinta de Ventozelo regressou à posse dos galegos

Treze dias depois, sem qualquer aviso prévio, a Proinsa retomou a quinta. Três anos depois, voltou tudo à estaca zero. A família Silva Reis vê adiado o velho sonho de fundir as Carvalhas com Ventozelo, criando a maior e mais bela propriedade do Douro; o grupo Proinsa regressa ao Douro, onde chegou em 1999, sem qualquer ligação ou experiência no negócio do vinho (as suas actividades estão ligadas à aquacultura e à transformação de peixe).

Foi essa falta de experiência que levou os seus responsáveis a cometer alguns erros na quinta.
Mesmo assim, Ventozelo, com os seus cerca de 200 hectares de vinha, continua a ter um enorme potencial para a produção de vinho, porque possui todo o tipo de exposições e declives. Esse potencial começava agora a dar os primeiros resultados, sob a gestão da Real Companhia Velha.

Apesar da forma menos amigável como terminou a parceria, é provável que o caso não chegue aos tribunais. A questão dos vinhos está a ser resolvida. Os 270 mil litros de vinho selados pertenciam à Real Companhia Velha, que os colocara em Ventozelo para evitar que os tonéis da quinta se estragassem, e estão a ser desbloqueados. O stock de vinhos que existia em Ventozelo quando a quinta passou para o controlo da firma portuguesa já tinha sido liquidado em 2009.

O mais certo é a Proinsa alienar a quinta, até porque os negócios em Espanha estão difíceis. No Douro também não estão melhores, mas há poucas propriedades na região tão apetecíveis como Ventozelo. E, apesar da crise, a região do vinho do Porto continua a ser tentadora.

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