Fugas - hotéis

Pelo sonho é que vamos

Por Rita Pimenta ,

Tem 72 quartos, 12 villas, campo de golfe, piscina atlântica, spa, jardins e um restaurante italiano. Hotel boutique de cinco estrelas, o Onyria Marinha já foi considerado o 3.º melhor do mundo (e o primeiro da Europa) nos Travelers Choice 2013 da TripAdvisor. Seguir os sonhos é o lema deste luxo da Quinta da Marinha.

Dar com o hotel não foi fácil. Era noite e as ruas pareciam todas iguais. Depois de algumas voltas escusadas pela Quinta da Marinha, ali estava o Onyria Marinha Edition Hotel & Thalasso. E é inesperado o que está para lá da fachada do hotel, desenhado pelo arquitecto João Paciência e pelo arquitecto paisagista Francisco Caldeira Cabral. Depois de se entrar, não apetece sair. Até porque há exteriores lá dentro.

"Todos os projectos Onyria valorizam o exterior, por isso se sente de imediato a força dos jardins. Isso também nos diferencia", disse Paulo Figueiredo, director do hotel, numa primeira visita da Fugas, em dia de muito sol, para uma experiência no spa. Mas hoje viemos para jantar e pernoitar.

Há quartos virados para o jardim interior e outros com vista sobre o campo de golfe. "Pensámos que haveria preferência pelos quartos virados para o green, mas verificámos o contrário." Da varanda, observa-se o que se vai passando no campo, e no terraço das quatro suítes pode desfrutar-se de um jacuzzi, assim o estado do tempo o permita. Do quarto escolhido para a Fugas, via-se o restaurante, o lobby, a recepção, o jardim interior, os lagos e ainda se conseguia vislumbrar a piscina atlântica. E muito céu.

Mas há outro tipo de alojamento no Onyria Marinha, as villas. "São casas em que se beneficia das comodidades do hotel, mas onde os hóspedes têm mais privacidade e autonomia." Os praticantes de golfe levantam-se muito cedo e deitam-se cedo também, desta forma ficam mais resguardados do movimento do hotel, explica o director.

A preferência dos franceses e ingleses vai para a "villa mais tradicional, muito british, com lareira", já os clientes "mais jovens, suecos, finlandeses ou russos escolhem asedition villas". Um T2 em que se reproduz o ambiente dos quartos do hotel: espaçosos, com a cor branca a predominar e mobiliário em madeira, de linhas direitas. As edition villas ficam junto ao Club House e dispõem de uma piscina exterior. Por perto, está o antigo pavilhão de caça do Rei D. Carlos, que já acolheu o restaurante Così fan Tutte.

A decoração de todos os espaços do hotel, onde se encontra pedra de diferentes texturas, anda à volta dos dourados suaves e dos tons ocre e acastanhados, numa intencional ligação à terra. E há luz natural abundante onde quer que se esteja.


Três prémios

Antes de ser considerado o terceiro melhor do mundo e o primeiro da Europa, segundo o Travelers Choice 2013, o Onyria já tinha recebido o prémio Golf Tourism Supplier of the Year 2012, atribuído pela associação internacional de operadores de golfe IAGTO e o de Qualidade do Serviço 2011, escolha do Turismo de Portugal, logo no ano de abertura. A distinção mais recente, da TripAdvisor, fez-se entre mais de 6 mil hotéis, de 82 países e nove regiões.

O director tentou explicar a razão de todo este sucesso. "Há vários factores. Desde logo, o processo de recrutamento, que foi inovador. Fizemos uma espécie de castingque teve à partida 700 candidatos. Desses, trouxemos durante dois dias 200. Houve um conjunto de provas que eles foram percorrendo, tipo [concurso] Ídolos." Previamente havia sido definido o perfil para cada uma das funções a que se candidatavam, mais baseado no carácter do que no desempenho técnico: "Espírito de equipa, disponibilidade, vontade de ser o melhor, ser genuíno, capacidade de liderança." Dessas 200 pessoas, escolheram 56 para a abertura do hotel.

Paulo Figueiredo descreve uma prova de avaliação de carácter: "O empregado do bar dirigia-se ao cliente e perguntava que bebida é que ele gostaria de tomar. O que estava na sala fazia parte da simulação e dizia: "Quero um Moët & Chandon." O empregado chegava ao balcão e o chefe informava que não havia aquele champanhe, mas que era preciso vender alguma coisa ao cliente." A decisão sobre o que fazer ficava então a cargo do candidato a empregado de mesa. Isso é que seria avaliado.

"Nesta encenação, 72% dos candidatos serviram outro champanhe e levaram ao cliente como se fosse Moët & Chandon. Isto para nós é carácter, ou seja, falta dele." Replicaram este processo para bagageiros, recepcionistas, ajudantes de cozinha e as demais tarefas que compõem o funcionamento de um hotel.

"Para ter uma ideia: no momento de abrir o hotel nós tínhamos a equipa toda a pôr móveis, mesas e a equipar os quartos. Criou-se um espírito de equipa completamente diferente de outros casos. Abrimos no dia e hora certos. Isso hoje ainda se reflecte."

Paulo Figueiredo conta como poucos acreditaram ("nem os meus colegas mais próximos") no seu sonho mais imediato: "Chegar a primeiro hotel no TripAdviser em Portugal por reconhecimento dos clientes até ao final de 2012. A meio do ano, já éramos o 2.º nacional, em quase dois mil hotéis." A classificação como primeiro em Portugal e na Europa viria então a confirmar-se em Janeiro de 2013.

Seguir os sonhos é a filosofia do Onyria, cujo próprio nome vem de um vocábulo grego que significa "sonho", por isso todos os colaboradores trazem inscrito na placa que usam ao peito o nome e o sonho que os inspira. Mas em inglês, que é a língua que a maior parte dos clientes consegue decifrar. Assim, demos com sonhos como (e traduzindo) "viajar à volta do mundo", "ser advogada", "que tudo corra bem" ou simplesmente "casar".

Este conceito onírico está presente nos mais diversos pormenores, seja na marca da televisão do quarto, Dream TV, seja nas indicações que se penduram na porta, em que um "do not disturb"/ "não incomodar" se transforma em "still dreaming"/ "ainda a sonhar" ou, no caso inverso, "out for a dream", que se poderá traduzir poeticamente por "em busca de um sonho".

Os clientes são também convidados a revelar os seus desejos num questionário. E pode até ser que tenham a sorte de os ver concretizados, pelo menos parcialmente, com a ajuda do hotel. Paulo Figueiredo exemplifica: "Imagine um cliente que queira ter um Ferrari. Não o terá certamente por via do Onyria, mas poderá ter uma experiência de guiar um no Autódromo do Estoril."

"Melhor risotto do mundo"

De sonho foi também o jantar de degustação que nos foi servido no restaurante Story, pela mão do chef Fernando Monteiro. Antes de conhecermos o seu talento, já Luís Ferreira, director do F&B (Food and Beverage) do resort, nos tinha avisado de que iríamos provar "o melhor risotto do mundo". E contou que, embora sendo cabo-verdiano, a especialização do chef em cozinha italiana começou há muito, no tal restaurante que funcionava no antigo pavilhão de caça do Rei D. Carlos. "De certa forma, o Così fan Tutte era liderado por ele. O espaço vivia mais dos clientes de fora do que dos hóspedes."

Por isso, a escolha de se manter a oferta de cozinha italiana "foi uma transição natural", continua Luís Ferreira, que queria também evitar preços muito elevados. "A comida italiana dá a possibilidade de cobrar um bocadinho menos, dando bastante e muito bom, mas mais barato. Provámos muitas coisas e corrigimos algumas que nos foram apresentadas. Também aqui funcionámos bastante em equipa. Demorou um bocadinho a acertar tudo, mas já está mais que acertado."

Pelo menos assim pareceu do que nos foi dado a provar: do capuccino de cogumelos ao carpaccio de atum com flor de sal e alface, passando pelo queijo mozzarela fumado com pêra bêbeda em vinho Marsala, pelo carpaccio de novilho com alcaparras e rúcula, pelo risotto de camarão com laranja e coentros, pelo tornedó de novilho com queijo Polenta e espargos e, finalmente, pelo tiramisú.

Foi sempre possível distinguir todos os sabores, sem temperos excessivos e em ligações ora mais comuns, ora mais originais. No entanto, todas sedutoras e harmoniosas. A escolha dos vinhos que melhor se adequavam às iguarias que iam desfilando terá ajudado.

Márcia Pedras sugeriu inicialmente um vinho do Dão, Duque de Viseu 2008. Já Bruno Ferreira encaminhou-nos a dado passo para um Douro Quinta Nova 2009. Num serviço eficiente, que decorreu com formalidade descontraída e afável, sem ser intrusiva.

chef Fernando Monteiro foi visitando a mesa para saber como estavam a ser recebidos os seus pratos e explicava com simplicidade a forma como os ia compondo. Alegre e comunicativo, foi sempre lembrando que não trabalhava sozinho. "Sem a equipa não conseguia. Fala-se muito dos chefs, mas é preciso dizer que, sem o apoio de todo o pessoal da cozinha e da sala, nada funciona." Acabaria por se sentar à nossa mesa e conversar até o relógio indicar o dia seguinte. E contou-nos o seu sonho. Mas essa é uma outra história.

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Preços: Quarto duplo 137€; Suíte (2 pessoas) 237€ ; Edition villa (4 pessoas) 247€ (média por noite). Pacote de golfe para três noites, a partir de 374€ por noite, com pequeno-almoço buffet incluído no restaurante; tratamento VIP no quarto, à chegada, com água mineral, fruta e garrafa de vinho Chateâu des Vigiers; oferta surpresa de boas-vindas no quarto; um jantar por pessoa no restaurante (bebidas não incluídas); dois green fees por pessoa no Golfe da Quinta da Marinha; garagem privada; acesso à sauna, ginásio e ao circuito de águas com banho turco, piscina interior, jacuzzi e duches sensoriais; transfer diário para Cascais.

(A Fugas esteve alojada a convite do Onyria Marinha)

Nome
Onyria Marinha Edition Hotel & Thalasso
Local
Cascais, Cascais, Quinta da Marinha - Rua do Clube
Telefone
214860150
Website
www.onyriamarinha.com
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