Fugas - motores

Pedro Cunha

Audi A7 Sportback 3.0 V6 TDI quattro: Há um diabinho aqui escondido

Por Luís Francisco

Não há muitos carros assim. Nem é tanto pela sua qualidade e pelos argumentos mecânicos que exibe, a aura de luxo que carrega ou o preço difícil de digerir. Isso já nos habituámos a encontrar por aí. O que não é comum é termos um modelo que concilia tudo isto com um visual desportivo.

Pensemos na sigla: Audi A7. Ou seja, algures entre o A6 e o A8, duas berlinas de luxo do construtor alemão. "Luxo" e "alemão" são palavras que rimam na indústria automóvel, portanto não deverá haver surpresas por aqui. E, no entanto... Será a silhueta esguia, o spoiler retráctil, as maciças ponteiras de escape cromadas? Alguma coisa nos diz que este carro é tudo o que mostra à primeira vista e mais ainda. Com o tempo, essa impressão passa a certeza.

Para começar, este é um carro muito particular e tal carácter único nota-se quando procuramos os seus rivais mais directos. E são eles o Mercedes CLS, o BMW série 5 GT ou mesmo o Porsche Panamera - todos aves raras no conjunto da gama de cada um destes construtores. As silhuetas de coupé são um denominador comum a todos eles; a opção por oferecer apenas dois lugares traseiros (mesmo quando há espaço para três) reforça o estatuto de nicho; a tracção integral ganha protagonismo (no Audi, BMW e Porsche).

O A7 Sportback é uma berlina de luxo, mas o seu temperamento está constantemente a espicaçar o diabinho acelera que há em cada um de nós. E o pior é que tem um comportamento em estrada de tal forma exemplar que nunca parece estar nos limites - pelo menos para alguém que não ganhe a vida nas pistas de testes ou nas corridas. Naturalmente, quando se cede ao apelo dos cavalos os consumos sobem. Mas, espanto (e ainda mais porque estamos a falar de um 4x4), nada de proibitivo: torna-se mesmo difícil gastar mais de dez litros aos 100 km, a não ser que se escolha um trajecto particularmente sinuoso e se ande a "fazer rali".

Ao contrário da generalidade dos modelos de gama alta, o A7 não oferece vidros escurecidos atrás, por exemplo (há uma cortina manual em opção, por 163 euros). Não é, portanto, um carro claramente vocacionado para se ser conduzido pelo motorista - mas, a ser assim, recomenda-se atenção na escolha do profissional, porque, lá está, a condução é tão boa que somos levados a esquecer-nos de tudo o resto...

Mas só há cintos de segurança para dois passageiros atrás, apesar de sobrar espaço para um terceiro. Isto também não é um carro de família. É nesta indefinição que se pode perder personalidade. Mas, estando nós a falar de viaturas de nicho, pelo contrário, há aqui qualquer coisa de especial com um enorme potencial para desenvolver paixões. Estas, apesar de serem na sua génese irracionais, precisam de ser apoiadas por factos. E um deles é que o Audi A7 é mais barato do que os modelos da concorrência.

Deixemos esses pormenores, certamente "maçadores" para quem pode desembolsar qualquer coisa à volta da centena de milhar de euros por um carro, e passemos a coisas mais palpáveis. Para começar, o exterior. Este carro não passa despercebido onde quer que esteja, é belíssimo e de uma elegância felina, principalmente com o spoiler traseiro levantado.

Depois de nos sentarmos ao volante (convém não ter pressa, tal a quantidade de regulações possíveis), passamos um olhar pelos interiores e percebemos que está tudo no sítio, com uma montagem irrepreensível, materiais nobres e um desenho que subordina completamente a estética à funcionalidade. Há, ainda assim, pormenores curiosos, como o relevo interior dos mostradores no tablier ou o ecrã táctil das memórias de rádio na consola central.

Assim que o motor começa a trabalhar, apreciamos a excelente insonorização (em andamento, nunca somos invadidos pelo ruído do motor e o silêncio é tal que, a partir de determinada velocidade, se pode ouvir o vento a passar pelos - enormes - retrovisores laterais), percebemos a excelência da caixa automática de sete velocidades e rejubilamos com uma direcção verdadeiramente magnífica. O comportamento em estrada é, como já se disse, fantástico.

Isto não afecta os níveis de conforto, que são muito elevados. A borrar a pintura só mesmo a incapacidade da suspensão para digerir grandes irregularidades no piso - torna-se ruidosa. Outros pontos menos bons na análise final são a visibilidade (mesmo sem passageiros atrás é difícil ver grande coisa para trás e a três quartos) e a tendência irritante das portas para não se segurarem em posição intermédia ao abrir. E, já agora, convém fazer bem as contas aos extras que se querem instalar.

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