Fugas - motores

Lancia Ypsilon 5P: Utilitário com ambições familiares

Por Carla B. Ribeiro

Do modelo original, mantém a jovialidade. Da nova gama Lancia, poderia ser um Delta em miniatura. A Fugas foi conhecer este utilitário com um toque "chrysleriano"

E do casamento entre a Chrysler e a Lancia, ambas sob a égide da Fiat (ainda na semana passada a construtora italiana anunciou a posse de 51 por cento da marca americana), renasceu o "mini topo de gama" que, desde o seu lançamento em meados dos 80, marcou a história da casa sedeada em Turim. Desta vez, e apesar de ter ido beber as suas influências ao Fiat 500, surge numa versão miniatura do Delta, particularmente na sua traseira cortada e robusta, com os farolins a estenderem-se sobre o corte da carroçaria, parecendo acompanharem o movimento das rodas. Isto é, obedecendo ao princípio que a Lancia anunciara de que seria o Delta o ponto de partida para toda a renovação da gama. Mas o seu nariz não engana: pode muito bem passar por um mini Chrysler - como, de resto, acontecerá nos mercados britânico e irlandês, aos quais deverá chegar já após o Verão.

Com cinco portas, pela primeira vez na sua história, este novo Ypsilon pode servir uma pequena família mas continua longe de ser um carro familiar. A marca assegura que transporta cinco, mas, pelos modelos experimentados, é mais seguro calcular que quatro pessoas encontram espaço e conforto q.b. para os circuitos diários. Os lugares traseiros, que recorrem a slim seats, acessíveis por duas portas bem disfarçadas na carroçaria (com puxadores quase invisíveis), não admitem nem pessoas muito altas nem tão-pouco com pernas muito compridas. Mas também não é esse o seu propósito.

Com 3,84m de comprimento por 1,67m de largura e 1,52m de altura, o Ypsilon permanece um compacto individualista, mesmo com o acrescento de espaço à bagageira. Face à última versão, há arrumação para mais 30 litros (graças também ao aumento da distância entre eixos, assim como à redução da sua frente), mas o porta-bagagem apresenta-se mais preparado para servir uma ida ao supermercado (ainda que mensal) do que propriamente para levar as malas de uma escapada a cinco ou mesmo a quatro.

Mas há coisas que não mudam: o novo Ypsilon continua a ser um modelo ultrafeminino com detalhes pensados, assegura a marca, especificamente para elas, ao acrescentar o Smart Fuel System, que facilita o reabastecimento ao substituir o vulgar tampão por um dispositivo automático que não permite enganos (um carro a diesel não vai aceitar uma pistola a gasolina e vice-versa) ou à inclusão do Magic Parking com o qual o carro encontra o lugar que mais lhe convém e estaciona (quase) sozinho.

Ainda assim, esta nova versão reúne pormenores que, aqui e ali, vão piscando o olho ao público masculino, sobretudo mais jovem, e também a famílias em começo de vida. Isso acontece particularmente pelo seu interior, que reclama para si o título de "alternativa premium" dos citadinos (o novo modelo da Lancia surge preparado para fazer frente ao Ford Fiesta, ao Citroën C3 ou ao Toyota Yaris), especialmente se se escalar até ao equipamento Platina que inclui, entre outros mimos, estofos em pele, jantes em liga leve de 15 polegadas (com possibilidade de 16''), faróis de nevoeiro e comandos no volante, a que se pode ainda acrescentar tecto de abrir, ar condicionado de controlo automático, sensores de luz e chuva ou cruise control.

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