A Hyundai é mais conhecida pelos seus modelos de características económicas e funcionais, mas com o Genesis marca presença num território que não é o seu habitat natural. Esqueça-se a habitabilidade, racionalidade e economia, os principais atributos da generalidade dos outros modelos do fabricante sul-coreano - os pontos fortes deste coupé desportivo são as performances proporcionadas pelo propulsor a gasolina de 2.0 litros e 210cv deste desportivo de motor dianteiro e tracção traseira.
A versão que a Fugas conduziu, a única comercializada em Portugal por óbvios motivos fiscais, é a mais "fraquinha e económica" do Genesis Coupé (se assim se pode considerar um carro com 210cv e 300 Nm de binário que gasta 13 l/100 km). Noutros mercados, está disponível outra motorização a gasolina 3.8 V6, com 303cv e 361 Nm de binário, cujos 65 litros do depósito de combustível não deverão chegar para fazer uma viagem Porto-Lisboa sem parar para reabastecer...
Já esta versão 2.0 litros turbo apresenta um consumo calculado em 12,9 l/100 km num percurso misto (embora sem muitos cuidados na condução). Custa 39.990 euros - a que, na unidade que conduzimos, se somam 750 euros do rádio/CD Infinity e 250 euros da pintura metalizada. Nunca poderá ser um campeão de vendas: é antes uma questão de prestígio para a marca sul-coreana, como que a dizer "também conseguimos fabricar modelos de altos consumos e performances" e, já agora, com tracção traseira, como os BMW e os Mercedes.
E nessa vertente a Hyundai foi bem-sucedida. As linhas simultaneamente elegantes e agressivas do Genesis Coupé, com uma frente poderosa, grandes pinças de travão que se vislumbram sob as jantes em liga leve de 19 polegadas, spoiler traseiro e dois grandes escapes laterais, evidenciam a sua natureza desportiva. É um carro que chama as atenções e por um par de vezes deparámos com pessoas a fotografá-lo.
Uma vez dentro do carro, sentados em bancos confortáveis e envolventes (no caso dos lugares da frente), forrados a pele e aquecidos, com o do condutor com regulação eléctrica, ajustem-se banco, volante (só regulável em altura...), retrovisores (os exteriores rebatíveis electricamente) e prima-se o botão de arranque para iniciar a marcha. O ronco do motor não engana: esta "fera" com 4630 mm de comprimento, 1865 mm de largura e 1385 mm de altura é um carnívoro e a sua presa é o asfalto.
Há carros que convidam à contenção e a uma condução racional, o Genesis Coupé, pelo contrário, é como uma amante cara que leva um pacato cidadão ao desvario. Com consumos na ordem dos 13 l/100 km, o comportamento do carro induz o condutor a pisar com firmeza os pedais desportivos metalizados. E a resposta é rápida, convidando a uma condução desportiva, potenciada pela tracção traseira que lhe proporciona um comportamento dinâmico em curva.
Para este coupé, as estradas são sempre a descer - ganha velocidade mesmo nas subidas mais íngremes. O centro de gravidade é baixo e não se sente o efeito de ventos laterais, mesmo fortes. A caixa manual de 6 velocidades, embora ofereça uma condução desportiva, é bastante elástica. E a suspensão, embora com a dureza requerida por um desportivo, não deixa de ser confortável. Por isso, desde que não se preste atenção ao consumo instantâneo, conduzir o Genesis Coupé é pura diversão.