O Nissan Leaf pode levar os menos habituados a um carro eléctrico à beira de um ataque de nervos, devido à limitada autonomia das baterias e à escassa rede de carregamento. Mas depois de alguns dias ao volante, a experiência acaba por nos ensinar como tirar o melhor partido de um automóvel amigo do ambiente e da carteira.
Antes de mais, uma constatação óbvia: quem não tiver uma garagem onde recarregar o automóvel durante a noite pode ter dificuldade em adormecer. Isto porque, no dia seguinte, a simples missão de chegar ao emprego dependerá muito da carga que restou acumulada na bateria e, naturalmente, da distância da residência ao local de trabalho. Mesmo levando em conta que, segundo os levantamentos apregoados pelas marcas, cerca de 80 por cento dos automobilistas, percorre uma média diária inferior a 100 quilómetros.
Para uma distância casa-emprego na ordem dos 25 quilómetros, residir num prédio sem garagem pode complicar o que parece simples. Quando, ainda por cima, não existem postos de carregamento normal da rede Mobi.E em funcionamento nas proximidades as dores de cabeça ameaçam tornar-se permanentes. A "aspirina" pode ser a possibilidade de carregamento nas tomadas do parque de estacionamento perto do escritório, embora sejam poucos os que dispõem de tomadas devidamente preparadas para o efeito... Depois há ainda que contar com deslocações mais longas inesperadas. Como a maioria dos postos de carga normal está concentrada a norte, se o destino for para sul é melhor esquecer: há registo de um posto normal em Setúbal e depois só em Faro. No meio, um deserto com muito mais de 175 quilómetros.
Um veículo eléctrico, por ora, só serve para um uso citadino ou para deslocações pendulares suburbanas. Pelo menos enquanto a única possibilidade de carregamento rápido da Mobi.E (permite carregar em 20 minutos cerca de 80 por cento da bateria) na zona de Lisboa se limitar à área de serviço da Galp de Oeiras, na A5 (Lisboa-Cascais). Os outros quatro postos rápidos (de uma promessa de 50) ficam nas áreas de serviço da A1 (Lisboa-Porto) em Aveiras de Cima e Pombal.
O Leaf consiste num pequeno familiar de cinco portas, para idêntico número de ocupantes (a concorrência apostou, para já, num citadino entre os dois e os quatro lugares). As linhas modernistas podem não convencer todos, neste ou naquele pormenor, mas globalmente agradam à vista. Os faróis, em tecnologia LED, vincam-lhe a imagem ecológica.
O interior revela-se espaçoso e mesmo o lugar do meio atrás beneficia da ausência de túnel central. Os revestimentos mostram-se, em geral, num bom plano. O tablier algo "plastificado" é compensado com a superfície suave que reveste as portas. Os bancos, em tecido, são confortáveis, se bem que pelo menos o do condutor pudesse ter melhor apoio lombar. O visual da consola central é simples e o monitor táctil permite comandar algumas funcionalidades, nomeadamente do sistema de navegação e do sistema eléctrico.
O manípulo que comanda os modos de condução tem a forma de um "joystick". Além dos modos semelhantes às de uma caixa de velocidades automática existe uma função Eco, que maximiza a regeneração de energia quando se levanta o pé do acelerador e nas travagens, carregando a bateria. O binário máximo, debitado pelo motor eléctrico com uma potência equivalente a 108cv, está disponível desde o arranque, permitindo um desempenho acima do esperado.