Fugas - motores

Este não é um automóvel para o povo

Por Luís Filipe Sebastião

No exclusivo mundo das berlinas de luxo, há um construtor que teima em mostrar que é capaz de fazer bem e mais barato. Mostramos o Volkswagen Phaeton 3.0 TDI 240cv Tiptronic: um objecto raro nas estradas portuguesas.

É uma espécie de cisne da indústria automóvel que ainda não se libertou do complexo de patinho feio. O Phaeton é a aposta da Volkswagen no exclusivo patamar das berlinas de luxo. Uma proposta que pretende competir com as consagradas Mercedes e BMW e até a Audi, a marca de prestígio do grupo alemão... Volkswagen. Neste cenário, o topo de gama do construtor do "carocha", o conhecido carro do povo, faz sentido? A competente motorização 3.0 TDI, com 240cv, demonstra que sim e que só a ostentação justifica a preferência por outros emblemas mais vistosos.

A comparação com a concorrência é inevitável para se perceber a razão do Phaeton quase não se ver nas estradas portuguesas. Excepção feita a um ou dois primeiros-ministros, que durante algum tempo utilizaram um dos poucos exemplares no mercado nacional, a berlina de luxo tem a vida dificultada logo com a marca irmã dos quatro anéis entrelaçados. Partilhando a plataforma com o Audi A8, a versão deste modelo 3.0 V6 TDI quattro tiptronic custa 107.100 euros, pouco acima dos 103.389 euros do Phaeton 3.0 V6 TDI Auto 4Motion. As siglas quattro e 4Motion significam que os dois modelos são dotados de tracção integral.

Menos de quatro mil euros de diferença, para uma potência equivalente (a VW anuncia 240cv e a Audi 250cv), parece fácil adivinhar para onde penderá a escolha. Os concorrentes "fora de casa" ficam mais distantes, mas ostentam outros argumentos, como a imagem: o Mercedes S350 3.0 BlueTEC, com 258cv, começa nos 109.413 euros (a versão de tracção integral 4Matic sobe aos 116.975) e o BMW 730d, com 245cv, arranca nos 107.940 euros (118.820 euros pela tracção integral do 740d xDrive, de 306cv).

Preços à parte, para se perceber até que ponto o Phaeton consegue estar à altura dos pergaminhos da concorrência, registe-se desde logo uma estética apurada, de linhas conservadoras mas silhueta esbelta. O que para alguns pode ser falta de chama, resulta afinal numa imagem discreta, mas com o carácter vincado pelas ópticas dotadas de tecnologia LED e aplicações cromadas. Estas são, aliás, as principais alterações introduzidas na recente e quarta remodelação do modelo lançado em 2002, que viu também reduzidos os valores em termos de emissões de CO2 (15g/km no TDI) e de consumos. Algum equipamento antes opcional passou a ser de série.

O interior desafogado pode adoptar uma configuração de cinco ou quatro lugares, neste último caso com uma consola ao meio com os comandos de climatização e de mordomias opcionais de conforto e entretenimento. No caso de cinco ocupantes, como era o da unidade ensaiada pela Fugas, o lugar do meio é aproveitável embora sem o conforto dos laterais. A construção revela um aprumo elevado e a boa qualidade dos revestimentos está ao nível dos concorrentes. A insonorização é garantida pelos vidros laminados. A consola central agrega alguns comandos, como os dos vidros, mas outros repartem-se pelo tablier e pelas molduras do painel de instrumentos e no volante multi-funções. Ainda assim, toda a instrumentação se revela intuitiva e fácil de apreender. Nota dissonante, embora também adoptada pela Mercedes, para o travão de estacionamento de pedal, quando modelos bem mais modestos já dispõem de uma solução eléctrica.

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