A principal novidade deste Renault Scénic é o motor a gasóleo 1.6 dCi de 130cv, que se estreia neste monovolume e também no Grand Scénic de 7 lugares. Um propulsor que irá, progressivamente, substituir o "ancião" 1.9 dCi com a mesma potência noutros modelos da marca, a começar pelo Mégane, no ano que vem. Para além de apresentar performances similares e nalguns casos até superiores ao 1.9, o 1.6 dCi proporciona, segundo a Renault, uma redução de 20 por cento nos consumos e de 30 g/km nas emissões de CO2.
O construtor francês diz que se baseou na sua (respeitável) experiência na Fórmula 1 para construir este propulsor de menor cilindrada, mas mais compacto e eficiente, que inclui um sistema que desliga e liga automaticamente o motor associado à recuperação de energia na desaceleração/ travagem. Graças a esse somatório de tecnologias, a Renault proclama, em média, um consumo de 4,4 l/100 km e 115 g/km de emissões de CO2. Na prática, obtivemos uma média de 6,5 l/100 km, com muita condução em cidade e uma utilização em estrada pouco económica. Com os devidos cuidados e respeito pelas indicações fornecidas pelos instrumentos de bordo, teríamos provavelmente conseguido uma média melhor.
Foi, no entanto, possível comprovar a agilidade e disponibilidade deste monovolume, apesar do seu peso e dimensões. A caixa manual de 6 velocidades é precisa e bem escalonada, com relações longas para maior economia, a suspensão é confortável e o Scénic é estável em curva, pese embora a sua altura. A única coisa em falta é o auxílio ao arranque em subida, algo que, numa paragem em declive, pode ser parcialmente suprido pelo travão de estacionamento eléctrico ou fazendo ponto de embraiagem. No entanto, dispondo o monovolume que conduzimos de tantos dispositivos, como chave inteligente, arranque por botão, fecho automático das portas quando nos afastamos do carro sem necessidade de accionar o comando à distância, sensores de estacionamento, câmara de visão traseira, etc., etc., etc., bem que o construtor se podia ter lembrado de incluir esse útil item.
O Renault Scénic Bose Edition de 130cv é a versão mais bem equipada deste veículo e custa 31.900 euros, a que se somaram mais 1140 euros de extras (pintura metalizada, 400 euros; Pack Sensor + câmara, 740 euros). Por esta factura total, adquire-se um carro com visual elegante e cuidado por fora, a que corresponde boa qualidade dos materiais e acabamentos no interior. O problema é que a funcionalidade foi sacrificada à estética na secção dianteira, onde se sente a falta de espaços abertos para guardar pequenos objectos, algo de essencial num veículo familiar. Por outro lado, um útil espelho permite ao condutor vigiar o que se passa com as crianças nos bancos de trás.
Apesar de a Renault se ter notabilizado pela funcionalidade e economia dos seus veículos, destinados a uma vasta clientela, este Scénic Bose Edition distingue-se pela qualidade dos acabamentos e materiais usados, bem como pelo nível de equipamento, que não fica atrás de modelos mais caros (ver ficha técnica). Já em termos de habitabilidade, podia haver mais espaço para os passageiros de trás e a bagageira, com os bancos traseiros de regulação longitudinal utilizando ao máximo os 13 cm do seu curso, tem 437 litros de capacidade (1637 litros com os bancos traseiros rebatidos), o que está longe de constituir uma referência face a monovolumes equivalentes. É certo que se podem puxar os bancos traseiros à frente separadamente para aumentar o volume da mala, mas então fica a faltar espaço para as pernas. Um dado positivo é haver uma roda sobressalente com as mesmas dimensões sob o fundo da mala.