E vamos já a elas, para que não fiquem dúvidas. Em primeiro lugar, a motorização testada, a 2.0 turbodiesel, é ruidosa e provoca vibrações no habitáculo (nomeadamente quando é accionada pelo sistema Start/Stop). Não seria um problema por aí além noutra marca, mas um BMW pior insonorizado (também se ouve o vento nos retrovisores laterais) e com um motor diesel mais "gasóleo" do que os da concorrência, isso já levanta sobrancelhas. E se desconfiados estávamos, pior ficamos quando sentimos as dificuldades de equilíbrio do carro em travagens mais fortes.
A excelência dinâmica da BMW é um dos pilares da filosofia do construtor. Todos os BMW, mesmo os mais discretos na motorização, são desportivos. É disso que fala a estética, é aí que reside a aura do emblema alemão. E, portanto, o facto de o novo série 1 oscilar nitidamente quando se trava com mais força a alta velocidade não pode ser considerado um pormenor. O carro, na verdade, não sai da trajectória (cenário em que, provavelmente, este texto teria outra assinatura no topo...). Agarra-se e defende-se, mas seria de esperar outro tipo de comportamento, mais proactivo, digamos assim.
Os problemas parecem concentrados no eixo dianteiro (a tracção é traseira), pouco dado a solicitações mais radicais. Para além do mal-estar na travagem, há também outro sinal de aparente fragilidade: sempre que se faz uma redução mais drástica, as rodas da frente patinam. É giro para quem quer dar nas vistas, mas não fica bem.
Posto isto, vamos às partes boas. Que são muitas e superam claramente as más. Antes de mais, e contrariando algumas ideias feitas sobre a BMW, temos a capacidade para apresentar consumos muito baixos. Ao longo de algumas centenas de quilómetros, sem a preocupação de andar devagar e raramente adoptando o figurino dinâmico Eco Pro, o consumo médio ficou abaixo dos 6 litros/100 km.
Se isto já é de assinalar em qualquer utilitário, torna-se particularmente notável num carro com 184cv de potência, perante o qual é impossível resistir à tentação de pisar o acelerador. E o carro não está amordaçado. A diferença entre os modos Comfort e Sport é sensível, mas não altera a percepção global do que se passa ao volante. Ou seja, em qualquer cenário, o 120d gasta mesmo pouco. Oferecendo muito.
Às vezes, mesmo mais do que apetece desfrutar. A baixa velocidade, o carro chega a engasgar-se e provocar solavancos quando não aceleramos o suficiente entre mudanças, como se estivesse a pedir mais adrenalina... Ele quer é andar depressa. E sabe fazê-lo. O comportamento em curva não tem mácula, ainda que a suspensão tenha sido recalibrada de forma a tornar-se mais confortável; os travões são bastante eficazes (tão eficazes que parecem acima das possibilidades do eixo dianteiro); a direcção uma maravilha.