É um carro equilibrado, que não confunde sobriedade com "cinzentude", que não apela à adrenalina mas também raramente se torna aborrecido. Em quase todos os aspectos, dos pequenos detalhes de design interior aos parâmetros dinâmicos, o que temos aqui é um produto sensato, honesto e sem manias. Pode ser o seu grande trunfo ou um factor desmoralizador de alguns potenciais clientes. Afinal, apesar de as realidades estarem a mudar e haver muitas famílias a bordo destes utilitários do segmento B (onde se concentram rivais como o Renault Clio, o VW Polo, o Opel Corsa ou o Peugeot 207), ainda há muitos jovens para conquistar.
E estes, assuma-se, não acharão grande graça a um carro que está constantemente a dizer-lhes que tenham juízo. Seja porque o indicador de mudança de velocidade está sempre "adiantado" em relação à rotação mais indicada (uma forma de nos obrigar a poupar combustível), seja porque a suspensão, sem claudicar, parece apostada em demover-nos de exageros (ou seja, não se pode dizer que o comportamento em curva seja mau; o que ficamos é com pouca vontade de testar os limites...).
O motor não é, de facto, entusiasmante. Tem potência, mas é pequeno. Nunca explode em picos de aceleração e, embora mostre uma energia notável em esforços de endurance, percebe-se que gosta pouco de sprints. Para se conseguir alguma vivacidade é preciso recorrer à caixa - e aí lá se vão as preocupações com a economia. Ainda assim, durante o teste, a média aproximou-se dos 8 litros/100 km, um número que não assusta, mas que também não entusiasma. Fica até a dúvida de saber se um motor com mais cilindrada não se tornaria mais económico. Mas não há. O Rio é comercializado com um único propulsor a gasolina (o 1.2 testado, com 85cv de potência) e dois a diesel, um 1.1 (75cv) e outro 1.4 (90cv).
Enfim, não é com este carro que vamos pensar em fazer ralis. Só que, lamentavelmente, também não temos aqui um prodígio de conforto, não só porque a suspensão não brilha particularmente a esse nível, mas também porque os bancos podiam ser bem melhores. A outro nível, e pela positiva, saliente-se a insonorização muito bem conseguida (o motor é tão suave que nunca incomoda), excepto na zona inferior do habitáculo (ouve-se tudo o que sai dos pneus a bater no chassis).
O silêncio não é o único ponto positivo a bordo. Na verdade, há muito por onde espalhar elogios, começando na instrumentação muito acessível e terminando na agradável descoberta de que não há praticamente túnel central na zona dos bancos traseiros - o fundo é quase plano, o que facilita a passagem de um lado para o outro e acrescenta alguma qualidade de vida ao eventual quinto passageiro. De caminho, saúde-se a preocupação de dotar o habitáculo com vários espaços para arrumos, a boa montagem e um posto de condução agradável.