Fugas - motores

  • Enric Vives-Rubio
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O Mini Coupé é um brinquedo só para dois

Por Luís Francisco

Por mais derivações que apareçam, os Mini têm colados à sua imagem de marca dois factores: são desportivos e são urbanos. Com o lançamento da versão Coupé, a marca reforça ainda mais essas qualidades ao criar um brinquedo que tem tanto de divertido como de inacessível.
Nos dias que correm, é difícil encontrar um carro que não tenha rival no mercado. Não por ser muito melhor do que a concorrência - isso também é complicado, mas, enfim, depende das opiniões. O que não se encontra é um modelo que, pelas suas características, não possa ser comparado a qualquer outro. Com tanta proposta por aí, parece uma missão impossível. Mas ao lançar o Coupé SD, a Mini pode ter conseguido a proeza de cravar a sua bandeira em território virgem.

Um desportivo de dois lugares com motorização diesel? Coisa rara, para mais numa fase em que os modelos parecem querer quase sempre agradar a gregos e a troianos, servir à direita e à esquerda, ser muita coisa ao mesmo tempo. Não é, claramente, o caso do Mini Coupé SD, uma variação ainda mais especializada de um modelo que nunca quis ser universal ou gerador de consensos.

Desta vez, ainda muito menos. Se há carros que se adaptam às mais diferentes situações e contextos, este não é um deles. Ainda mais urbano do que os outros Mini, com um desenho exterior e uma motorização que denunciam a vocação desportiva, apenas dois lugares e uma lógica de utilização bastante restrita, este pequeno diabinho não quer sair do seu território. Mas também não tem de o dividir com ninguém. E talvez só mesmo essa aura de peça única possa ajudar a engolir um preço bastante indigesto.

Visualmente, também não há como confundi-lo. Ao princípio custa um bocadinho a absorver aquela silhueta de Mini só com dois lugares, o tejadilho de cor diferente, o puzzle em que se decompõe a traseira. Mas depois tudo ganha a sua lógica. Haverá quem o ache feio e quem o sinta irresistível. Mas ninguém deixará de reparar nele.

Lá dentro, dois bons lugares, com espaço e funcionalidade, e uma bagageira que, devido à configuração do carro, acaba por ser a maior da família Mini, exceptuando o Countryman. É uma curiosidade estatística, mas pouco mais do que isso, porque oferecer mais espaço para bagagem a menos passageiros não é propriamente um grande exemplo de funcionalidade... Ainda mais quando isso acontece num carro que é assumidamente urbano.

Adiante, que todos os Mini são criados a pensar no condutor e este ainda o é mais. Com apenas um passageiro a bordo, e sem ter de se preocupar com o conforto ou a funcionalidade dos lugares traseiros, quem se senta ao volante tem de assumir que conduzir nestas condições tem mesmo de ser um exercício de fruição pessoal. E aqui acontece algo estranho. Apesar de não hipotecar os níveis de excelência dinâmica que são apanágio da marca, este Mini Coupé parece menos equilibrado em curva, nomeadamente quando se apanha em pisos mais degradados.

Numa pista, e com um profissional ao volante, talvez fosse possível encontrar termos de comparação. Mas um amador num teste de estrada tem de fazer fé nas suas sensações imediatas em situações muito aquém dos limites e na memória de experiências anteriores. Neste figurino, e já com vários Mini no "currículo", ficou a ideia de que esta derivação do modelo é mais nervosa nas reacções, talvez um bocadinho menos previsível. A condução continua a ser tremendamente divertida, mas exige mais atenção.

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