Fugas - motores

  • Enric Vives-Rubio
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O Mini Coupé é um brinquedo só para dois

Pode ser um factor negativo numa versão que aponta, claramente, ao horizonte feminino. O visual queridinho, o design interior, as dimensões reduzidas, as muletas electrónicas (num carro deste tamanho, a ajuda ao arranque em subida ou os sensores de parqueamento pouco se justificam...), tudo parece piscar o olho às jovens condutoras urbanas. Sem sexismos à mistura, poucas delas serão dadas a explorar os limites dinâmicos do carro, mas podem apanhar um susto num momento de distracção. E terão de dar aos braços em espaços restritos, porque a manobrabilidade é fraca.

Dito isto, saliente-se que estaremos sempre a falar de um público-alvo bastante restrito. Ter um carro de apenas dois lugares não é para toda a gente e os que costumamos ver nas ruas (menos vezes do que gostaríamos, há que confessá-lo...) exibem normalmente os símbolos de construtores míticos como a Ferrari, a Lotus ou a Lamborghini. Longe destes patamares de luxo e potência, o Mini Coupé sai muito mais barato, claro. Mas, ainda assim, custa bastante para cima de 30.000 euros nesta versão SD e os extras pagos à parte agravam ainda mais o "abuso".

BARÓMETRO

+Comportamento, prestações, consumos, espaço interior, visual personalizado

-Leque restrito de utilização, porta da bagageira pesada, potencial para ruídos parasitas, extras pagos à parte, preço


Interessante

Assim que passamos dos 80 km/h, um aileron de proporções discretas eleva-se na traseira do carro. Recolhe quando a velocidade baixa dos 60 km/h. Mas também pode ser accionado manualmente, através de um comando situado na zona superior do habitáculo, junto ao retrovisor. É funcional e ajuda a compor a silhueta bem personalizada do Coupé, um carro que quer ser jovem, irreverente e desportivo, mas sem nunca ceder à vulgaridade. Missão cumprida.

Prático
O gigantesco mostrador do conta-quilómetros, em posição central, continua a ser a vedeta do tablier, como é tradição no modelo. Mas agora esse espaço inclui um ecrã que pode servir para o sistema de navegação (em opção) e permite visualizar as funcionalidades disponíveis no computador de bordo. No entanto, é um pouco mais abaixo, na consola central, que está o comando, sob a forma de um pequeno joystick que se mostra bastante prático e eficaz.

Musculação
Este é um daqueles carros que aponta baterias ao universo feminino. E se para um homem de constituição mediana já não é tarefa simpática levantar o enorme portão da bagageira, imagina-se que as meninas não acharão mesmo graça nenhuma a esta verdadeira máquina de musculação. É pesado e a falta de um sistema hidráulico eficaz obriga a um movimento de grande amplitude. Lá dentro, na cobertura, há peças de plástico que prometem ser fonte de ruídos parasitas. O único ponto positivo é que este portão dá acesso à maior bagageira do universo Mini, sem contar com o hipertrofiado Countryman.

Impecável
Em algumas coisas, é bom não ter surpresas. A direcção deste Mini cumpre a tradição da marca, ou seja, mostra-se de uma qualidade e de um tacto a toda a prova. O volante, de espessura generosa, é de bom toque; a direcção, muito comunicativa, permite sentir o piso em quaisquer circunstâncias. Num carro feito a pensar no condutor, estes são dois predicados fundamentais, ainda por cima porque permitem uma boa primeira impressão a quem se senta ao volante. E essa empatia nunca mais se perde.

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