Quando surgiu no mercado, os fanáticos da Volkswagen, e especialmente os mais dados a aventuras fora do asfalto, suspiraram de alívio: afinal, o construtor alemão não se ficara pelo impressionante, mas bastante inacessível, Touareg. Ali estava um SUV (Sports Utility Vehicle) mais à medida do espaço e da bolsa do cidadão comum. Os anos passaram, as expectativas mudaram. Agora, espera-se de um SUV que seja mais parecido com um monovolume ou uma berlina e não tanto que possibilite emoções fortes em pisos alternativos. E, mais uma vez, o Tiguan diz "presente".
A nova geração não perdeu argumentos para se aventurar fora de estrada. Na verdade, e para sermos correctos na análise, eles nunca foram muito ostensivos. Reparava-se era mais nisso há uns anos... De tal forma que se relegava para segundo plano a enorme facilidade de condução e utilização de um carro que, apesar de tudo, não é assim tão pequeno. São exactamente essas qualidades, agora ainda mais acentuadas, que estabelecem a coluna vertebral do novo Tiguan. Este é dos modelos mais amigos do utilizador que por aí se podem encontrar.
Apesar da potência pouco exuberante nesta motorização de entrada na gama diesel (110cv), a verdade é que nunca sentimos que há falta de força no propulsor - embora tenha faltado a prova dos nove com o carro muito carregado. O que existe, isso sim, é uma interessante disponibilidade da potência, graças também a uma caixa bem escalonada que guarda a sexta só mesmo para rolar.
O reverso da medalha é que o recurso a mudanças mais baixas - e basta a estrada inclinar um bocadinho para o indicador de mudança de velocidade sugerir a 5.ª - não pode deixar de prejudicar os consumos. Só que a este raciocínio linear e aparentemente inatacável contrapõe-se o facto de a 5.ª ser "enorme", permitindo, em condições de trânsito normal, conduzir quase como se estivéssemos num carro de caixa automática. E assim chegamos ao fim com consumos bastante agradáveis.
Este está longe de ser o único ponto em que Tiguan rima com facilidade de utilização. Tudo neste carro nos fala disso, de uma relação sóbria e confortável, que talvez não acenda paixões assolapadas mas nos garante um sossego muito saboroso assim que nos sentamos ao volante. A direcção equilibrada, a suspensão muito bem conseguida, a boa insonorização, os travões progressivos, os interiores simpáticos, o equipamento... bom, o equipamento pode ser mais ou menos abundante, mas isso já vai depender de abrirmos os cordões à bolsa, porque muitos itens são pagos à parte.
E, por falar em dinheiro, eis que se torna ainda mais óbvia a posição equilibrada deste modelo no mercado. O Tiguan marca uma espécie de fiel da balança: é mais caro do que os rivais com potências aproximadas - Nissan Qashqai (arranca a 26.900€), Hyundai ix35 (26.950€), Kia Sportage (25.990€) -, mas também permite o acesso a um carro destas características a quem não esteja para pagar potências a rondar os 140/150cv - Ford Kuga (a partir dos 35.350€), Audi Q3 (39.900€), BMW X1 (40.600€) ou Toyota RAV4 (43.000€).