Fugas - dicas dos leitores

Submarino em terra

Por António Fragoeiro

O nosso leitor António Fragoeiro interessa-se por tudo o que diz respeito à Segunda Guerra Mundial. E também viaja seguindo coordenadas bélicas ou para ver "in loco" peças históricas deste período. Aqui, relata o dia em que conseguiu, por fim, visitar um submarino usado na 2GM.

Viajei até à cidade alemã de Kiel e visitei o último submarino alemão de tipo VII que existe no mundo. Tenho por hobby coleccionar as relíquias militares da Segunda Guerra Mundial e até viajo pelo mundo em exploração de campos de batalha.

Mas o U-995 é algo que nos fica na memória, a sua imponente estrutura metálica é inesquecível. De manhã cedo, no aeroporto da Portela, apanhei um avião da TAP, em direcção à belíssima cidade de Hamburgo, onde de seguida levantei uma viatura que havia reservado no mês anterior. Já no interior do carro, com o aquecimento ligado e o GPS pronto, segui caminho.

A duração total da viagem foi de 1h40 minutos, a auto-estrada é fantástica e a vista espectacular. Ao chegar aos arredores de Kiel, as tabuletas começam a surgir — Marine Ehrenmal und U-Boot-Museum — e só consigo pensar que estou  perto, estou mesmo a chegar. Conduzidos mais uns quilómetros, lá está ele, com a sua silhueta esguia e magnífica, mesmo ao pé de mim.

À distância de um passo, continuei até ao estacionamento do memorial, onde larguei o carro por umas horas. Fui recebido por temperaturas de -11º mas nem isso me desmotivou, e de seguida comprei um bilhete de entrada para o submarino e a torre memorial, gastando um total de 6 euros.

Durante o Inverno, as filas de visitantes são mais reduzidas e desta vez não foi excepção, havia apenas um casal inglês à minha frente. Comecei a visita pelo U-995. Todo o interior é maravilhoso, extremamente bem recuperado e conservado, com todos os instrumento de época ainda funcionais, desde os manómetros até aos tubos dos torpedos. Seguindo a visita, entrei na torre memorial, um complemento ao submarino.

No interior da enorme torre, várias exposições podem ser vistas, desde bandeiras originais, de época, pinturas, dezenas de navios-modelo, dedicatórias e até um local de reflexão e respeito, onde estão colocadas placas em honra dos marinheiros de todas as marinhas existentes no mundo. Até mesmo dedicatórias à marinha de guerra portuguesa e coroas de flores em honra dos marinheiros que perderam a vida em inúmeros conflitos. No topo da torre, regressa o frio mas vale a pena porque a vista é deslumbrante: toda a baía de Kiel é visível e até mesmo o U-995.

Após a visita ao memorial, aproveitei para passear pela cidade. As suas ruas são limpíssimas, o trânsito é muito ordenado e o povo é extremamente acolhedor. A doçaria é assombrosa. De regresso a Hamburgo, decidi tirar proveito da excelente organização de estradas. Desliguei o GPS e muito a medo iniciei a viagem de volta e, surpresa, cerca de duas horas depois estava nos arredores de Hamburgo. As estradas alemãs são fantásticas.

Enfim, toda a deslocação valeu a pena, foi uma viagem marcante. 

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