Fugas - notícias

Ryanair: Voos sem crianças? "Foi o nosso contributo para o dia das mentiras"

Por Luís J. Santos

A Ryanair anunciou no início do mês que iria ter voos sem crianças. A informação foi divulgada por todo o mundo e houve reacções para todos os gostos. Até a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas veio agora a público condenar a "decisão". Daniel Carvalho, da Ryanair, em entrevista sobres e outros temas, esclarece: foi mentira de 1 de Abril.

FUGAS: A Ryanair pretende, de facto, levar a cabo voos proibidos a crianças? Há uma confusão generalizada sobre este tema, já que há quem tenha visto a questão como uma mentira inocente de 1 de Abril e quem esteja a reagir à notícia como facto real. Poderia deslindar esta confusão e, se for caso disso, detalhar melhor esta ideia de voos para adultos?
Daniel Carvalho: O nosso inquérito e pesquisa foram genuínos, indicando que há muitos passageiros insatisfeitos com os filhos dos outros. Porém lançámos esta ideia como nosso contributo para o dia das mentiras e é muito improvável que alguma vez a concretizaremos. Todavia, a reacção na imprensa mundial foi muito boa com muitos comentadores afirmando que se tratava de uma ideia popular.

P: Foi introduzida uma taxa de €2/voo para suportar as despesas obrigatórias com atrasos/cancelamentos. Não receiam que seja considerada ilegal pela Comissão Europeia?
R:
Não.

P: Recentemente, o Tribunal de Comércio de Barcelona considerou nula a obrigatoriedade de check-in online e abusiva a taxa aplicada a quem não o realizar. Qual a posição da Ryanair a tal decisão?
R: A Ryanair interpôs recurso a tal decisão e irá demonstrar que a obrigatoriedade de check in online veio reduzir os tempos de espera em filas nos aeroportos, baixar os custos aeroportuários e facilitar mais tarifas baixas e ainda que todos os passageiros concordam com a necessidade em fazer o check in online, da forma como fizeram a sua reserva. É extraordinário que uma juíza espanhola sugira que um acordo celebrado entre o cliente e a Ryanair esteja a violar a lei.

P: E, ainda no mesmo sentido, se o check-in online é obrigatório, se por este são cobrados €6; se a taxa para suportar as despesas com cancelamentos de voos é obrigatória e são €2; não deveria o preço final global apresentado incluir estas taxas já que não são opcionais para o cliente?
R:
De acordo com a legislação vigente, o preço final global apresentado inclui sempre todas as taxas não evitáveis.

P: Recentemente, registou-se um polémico voo Barcelona – Porto em que foram impedidos de entrar cerca de 60 passageiros portugueses, que tiveram que passar a noite no aeroporto. Presumindo que a empresa já concluiu o inquérito ao caso, quais são as conclusões e qual a posição oficial da companhia ao sucedido? Algum passageiro decidiu avançar com queixa ou processo?
(aqui, Carvalho remete para o comunicado de imprensa da Ryanair sobre o sucedido, em que referia que os passageiros se tinham "recusado a embarcar quando solicitados para tal, quando um passageiro não quis disponibilizar o passaporte e não passou nos procedimentos de segurança e não pôde viajar". "Não podemos tolerar comportamentos irregulares de passageiros nas portas de embarque", sublinhava Carvalho).

Ryanair: Lisboa em 2011?

P: Confirma-se que a Ryanair chegará, por fim, a Lisboa, dentro de alguns meses, utilizando o T2 da Portela?
R: Não comentamos rumores e especulações.

P: Qual é a posição da companhia sobre a entrada em Lisboa e qual o ponto das negociações?
R: Estamos a falar com mais de 80 aeroportos que querem ver a Ryanair a crescer nos seus territórios e não comentamos detalhes dessas negociações e/ ou diálogos. Quanto a Lisboa - já está na altura de conectar a capital portuguesa ao resto da Europa com tarifas verdadeiramente baixas quando os nossos competidores apresentam tarifas médias no mínimo 50% mais elevadas do que a Ryanair.

P: E que outros planos, rotas, projectos tem a Ryanair para o futuro quanto à sua presença em aeroportos portugueses?
R: Renovamos o nosso compromisso de continuar a aumentar rotas, tráfego e empregos no sector turístico junto dos aeroportos que apresentem os custos mais baixos.

[entrevista por e-mail  na tarde de 11/04/2011]

--%>