António Saraiva | presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP)
O presidente da CIP, António Saraiva, considera que devem ser retomados os 22 dias de férias, em vez dos actuais 25, como forma de diminuir o custo unitário do trabalho e aumentar a competitividade. António Saraiva relembra que quando foi decidido o aumento do número de dias de férias para 25 dias úteis - "premiando aqueles que não faltam" - a CIP considerou a medida errada. "Todos nós temos a obrigação de trabalhar mais e melhor", defendeu, criticando que se premeie "uma coisa que deve ser natural, que é a comparência ao trabalho".
Angela Merkel | chanceler alemã
A chanceler alemã, Angela Merkel, exigiu a unificação da idade da reforma e dos períodos de férias na União Europeia, criticando os sistemas vigentes em Portugal, na Grécia e em Espanha e defendendo que "não podemos ter a mesmo moeda, e uns terem muitas férias e outros poucas". Na Alemanha, a lei impõe que as empresas concedam aos trabalhadores um mínimo de 20 dias de férias por ano, mas, graças a acordos colectivos de trabalho, este período é mais alargado em muitas empresas, chegando a ultrapassar os 30 dias úteis.
Reacções
O secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), João Proença, lamentou a ignorância da chanceler alemã quanto à realidade portuguesa, salientando que os portugueses se reformam mais tarde e trabalham mais horas que os alemães, sendo os segundos da Europa que trabalham mais horas por ano, a seguir à Inglaterra.
O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que a chanceler alemã, Angela Merkel, se esqueceu de comparar também os salários dos trabalhadores alemães e portugueses, tal como fez em relação a férias e idade de reforma. "Como é sabido os trabalhadores alemães ganham quatro ou a cinco vezes mais do que os trabalhadores portugueses, mas essa parte nunca é referida", disse o líder comunista.
Carvalho da Silva, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), lembrou que na Alemanha o período pode ir até aos 30 dias e que a governante deveria ter comparado salários, horários de trabalho e as condições de vida entre portugueses e alemães.
A oposição alemã criticou as declarações da chanceler Angela Merkel. O presidente do partido SPD, Sigmar Gabriel, defendeu que "não são os trabalhadores e os pensionistas na Grécia os responsáveis pela crise financeira, mas sim os especuladores nas bolsas de valores e nos grandes bancos de investimento, só que a esses o governo não toca, e bloqueia a introdução de um impostos de transacções financeiras". O presidente d'Os Verdes, Cem Ozdemir, considerou que "as críticas [de Angela Merkel] a casos isolados, além de arbitrárias, só prejudicam a Grécia, Portugal ou a Espanha, e não reflectem a realidade".
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