“Analisei tudo o que Fernando Pessoa escreveu sobre Lisboa. O que extraí está sobretudo no ‘Livro do Desassossego’ [assinado como Bernardo Soares] mas também em poemas de Álvaro de Campos”, disse o realizador – também mentor do projecto e coordenador da Videoteca Municipal alfacinha – Fernando Carrilho à Fugas. ”Ophiussa", que significa "terra das serpentes" (era o nome que na Grécia Antiga era dado às terras do extremo ocidental europeu que viriam depois a ser a Lusitânia), serpenteia pela cidade, aqui tornada “um território imaginário e intemporal, possivelmente um não – lugar”, também através de um heterónimo menos conhecido, Vicente Guedes.
Entre os pontos filmados e referidos pelo escritor estão ruas, praças, cafés e paisagens. Alguns locais, como é o caso do Jardim da Estrela, surgem expressamente referidos na sua obra. Outros, compõem a vertente imaginária do realizador, que procurou paragens que se adaptem às descrições do poeta – caso do miradouro de São Pedro de Alcântara.
O filme – que surge no seguimento de “Fotogramas Soltos das Lisboas de José Cardoso Pires” de 2008 –, deverá, segundo Carrilho, seguir uma carreira por festivais internacionais. Até porque o realizador espera que também possa contribuir para o turismo lisboeta.
”Ophiussa”, cuja antestreia decorre hoje no cinema São Jorge, em Lisboa, a partir das 21h45, conta com leitura dos textos por Almeno Gonçalves, Ivo Canelas e José Wallenstein. O filme, produzido pela Videoteca Municipal de Lisboa e co-produzido com a Casa Fernando Pessoa e produtora Imagens do Século, com o apoio da EGEAC, poderá ainda ser exibido nas salas nacionais a partir de Fevereiro de 2012, adianta o realizador.
A associação entre Pessoa e o turismo em Lisboa não é, de todo, inédita. Além de ser a cidade da vida do poeta, este escreveu, inclusive, uma obra verdadeiramente turística: “What the Tourist Should See” (“Lisboa: O Que o Turista Deve Ver”) – original em inglês datado de 1925 mas só descoberto em 1988 e, desde então, alvo de edições e até adaptação a documentário (“Os Mistérios de Lisboa”) por José Fonseca e Costa) ou mesmo a teatro/percurso turístico (por André Murraças e o grupo Cassefaz).
Aliás, o poeta é, cada vez mais, um chamariz turístico: o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, defendeu recentemente que a projecção internacional da cidade deve passar pelo fado, Santo António e, precisamente, Pessoa.
Teaser Ophiussa - Uma Cidade de Fernando Pessoa | Videoteca Municipal de Lisboa @ Vimeo.