Fugas - notícias

Agora com Twitter privado, Bryan já tem representante oficial para os media

Agora com Twitter privado, Bryan já tem representante oficial para os media

´Destroy America´: Piadas no Twitter acabam em expulsão de turistas dos EUA

Por Carla B. Ribeiro

Dois jovens britânicos programaram férias nos Estados Unidos e foram lançando piadas no Twitter, onde um deles usou expressões como "destruir a América" ou que davam a entender que quereria "desenterrar" Marilyn Monroe. Resultado: o Departamento de Segurança Interna não achou graça, deteve-os à chegada a Los Angeles e recambiou-os para o Reino Unido...
Eis um bom conselho que não vem nos guias (mas que poderá começar a ser incluído...): “Quando viajar, particularmente para os Estados Unidos, cuidado com o que diz nas redes sociais”. Uma dica que poderia ter sido útil aos britânicos Leigh Van Bryan, de 26 anos, e Emily Bunting, de 24, e que lhes poderia ter salvado as férias. A dupla, em viagem para os Estados Unidos, acabou por ver interditada a entrada no país depois de Bryan ter trocado uma série de “piadas” no Twitter com os amigos sobre a sua incursão à América. 

Alguns dias antes da viagem, de acordo com a MSNBC, o jovem perguntou a uma amiga se estaria disponível para um encontro “antes de partir e destruir (“destroy”, termo também usado no calão britânico para descrever “festa rija”) a América”. A um outro amigo disse estar a preparar-se para “diggin' Marilyn Monroe up” que pode ser traduzido por “desenterrar Marilyn Monroe” — a deixa foi retirada da satírica série animada Family Guy, mas levou a que as autoridades lhe revistassem as malas à procura de pás que permitissem, de facto, desenterrar a actriz...: “Quase rebentei a rir quando me perguntaram se eu ficaria de vigia enquanto o Leigh desenterrava Marilyn Monroe”, confessou Bunting ao Daily Mail.

Terão sido estes twitts que levaram o Departamento de Segurança Interna a rotular os dois como “ameaça potencial” e assim que aterraram no Aeroporto de Los Angeles foram detidos por guardas armados. O Daily Mail avança que os jovens tentaram explicar a confusão dos termos, entre destruir e festejar ou mesmo o facto de não pretenderem realmente exumar a diva, mas acabaram por ser considerados suspeitos de estarem a planear “cometer crimes” em território norte-americano e viram os seus passaportes confiscados. Os dois passaram a noite em LA confinados a uma cela. No dia seguinte foram expulsos do país.

Enquanto a história corre mundo, Bryan (@LeighBryan) já tornou o seu Twitter privado e até já tem representante oficial para os media.

De olho nas redes
Desde os atentados do 11 de Setembro que a enunciação de uma série de palavras em praça pública pode ser suficiente para que as autoridades norte-americanas considerem alguém como uma “potencial ameaça” e as mesmas palavras, que incluem “bomba”, “detonação” ou “atentado”, são também monitorizadas em comunicações de voz ou mesmo nas redes sociais. Mas agora poderão começar a ser feitas de uma forma mais sistematizada.
 
Na semana passada, o FBI (a polícia federal americana) divulgou estar à procura de quem desenvolva uma aplicação que crie um mapa de possíveis ameaças através da compilação e tratamento de informação de vários sites, entre os quais as redes sociais como o Twitter ou o Facebook.

De acordo com aquele organismo, um dos objectivos é “melhorar e acelerar” o processo de alerta para “eventos de última hora e ameaças emergentes”. Num documento em que especifica as exigências do projecto e onde exorta as empresas a responderem até 10 de Fevereiro, o FBI escreve que pretende poder procurar material “de acesso público” que esteja alojado em redes como o Facebook ou Twitter através de palavras-chave relacionadas com terrorismo, operações de segurança, crimes cibernéticos e outros. 

A descrição, que sublinha o “de acesso público”, sugere que o FBI terá apenas acesso ao material disponibilizado que seja partilhado com o público, mas de acordo com a Electronic Frontier Foundation, um escritório de advogados com sede em São Francisco, citado pelo site da New Scientist, esta indicação poderá induzir os utilizadores em erro que poderão sentir-se à vontade para comunicar entre amigos. “No entanto, estas ferramentas, que perscrutam dados e provavelmente os guardam por um longo período, conseguem penetrar nesses níveis de privacidade”, considerou Jennifer Lynch, da Electronic Frontier Foundation, em declarações à New Scientist.

A ferramenta deverá incluir ainda a possibilidade de fazer pesquisas em sites noticiosos, quer locais e nacionais como internacionais. 
--%>